Bolsonaro defende ditadura militar e manda ‘cala a boca’ a STF
Da Redação
31 de março de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h26)Em cerimônia no Planalto, presidente diz que país seria uma ‘republiqueta’ se não fosse regime autoritário, e reclama de ministros do tribunal: ‘bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco’
O presidente Jair Bolsonaro em evento do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2022
O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a ditadura militar nesta quinta-feira (31), aniversário de 58 anos do golpe de 1964, e a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal. O discurso do chefe do Executivo aconteceu durante a cerimônia no Palácio do Planalto que oficializou a saída de parte de seus auxiliares para a disputa das eleições em outubro.
“O que seria do Brasil sem as obras do governo militar? Não seria nada! Seríamos uma republiqueta”
Bolsonaro usou a ocasião para fazer ataques a ministros do Supremo. “Nós aqui temos tudo para sermos uma grande nação. Temos tudo, o que falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideias, cala a boca. Bota a tua toga e fica aí. Não vem encher o saco dos outros”, disse, numa referência à vestimenta usada pelos ministros do tribunal. O presidente também defendeu o deputado Daniel Silveira (União Brasil-RJ), que é réu por incitação a atos antidemocráticos e se recusou a cumprir ordem judicial do ministro Alexandre de Moraes, alvo frequente de Bolsonaro.
Em seus elogios à ditadura, Bolsonaro ignorou o consenso historiográfico sobre o golpe . “O que aconteceu nesse dia? [31 de março de 1964] Nada. Nenhum presidente da República perdeu o mandato nesse dia. Congresso, com quase 100% dos presentes, elegeu Castello Branco presidente à luz da Constituição”, afirmou. Na verdade, Castello Branco virou presidente após um golpe que destituiu o presidente João Goulart. A ditadura militar, que durou 21 anos, matou, torturou e censurou as artes e a imprensa.
As afirmações de Bolsonaro vieram após o Ministério da Defesa saudar as ações das Forças Armadas no golpe de 1964. A publicação da nota foi uma das últimas medidas do general da reserva Walter Braga Netto à frente da pasta. Ele foi exonerado do cargo de ministro nesta quinta e deve ser vice de Bolsonaro na tentativa de reeleição em outubro.
Bolsonaro faz ataques ao sistema eleitoral, à confiabilidade das urnas eletrônicas e ao Judiciário de forma recorrente em seu mandato. A tensão atingiu um ápice no segundo semestre de 2021, quando o presidente intensificou ataques e, em ato no dia 7 de setembro, afirmou que não cumpriria nenhuma decisão de Moraes e chamou o ministro de “canalha”. Após uma crise marcada pelo risco de ruptura institucional, o presidente recuou e passou a atenuar o extremismo de seu discurso.
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