Especial - Vacinadores-Butantan

GRÁFICO

Qual a origem dos principais

fabricantes de vacina no Brasil

Butantan

Por Lucas Gomes e Caroline Souza
em 25 de novembro de 2021

O ‘Nexo’ apresenta a história das duas instituições científicas responsáveis pela produção de duas das vacinas que combatem o coronavírus no país

Vacinadores

O Instituto Butantan é um dos principais centros de pesquisa e ensino em biomedicina no Brasil. É responsável pela produção de uma grande parcela das vacinas utilizadas no PNI (Plano Nacional de Imunizações) e distribuídas pelo Ministério da Saúde.

A história do Butantan

Primeiros anos

Fundado em 1901, com o nome de Instituto Serumtherapico, tinha como objetivo inicial de conter a epidemia de peste bubônica, que ocorria nas imediações do porto de Santos. O governo de São Paulo comprou a fazenda Butantan, para abrigar o laboratório. O médico Vital Brazil foi responsável por investigar a doença e iniciar a produção do soro antipestoso.

O estado de São Paulo passava pela ampliação da cafeicultura. Acidentes de picadas de cobra entre os trabalhadores rurais eram comuns. Vital Brazil voltou sua pesquisas às serpentes venenosas, comuns em território brasileiro.

Na década de 1910, o Instituto se consolidou como a mais importante instituição de pesquisa científica do estado e uma das maiores do Brasil.Em 1925, em conjunto com outros órgãos, a instituição foi transformada no atual Instituto Butantan.

Expansão e reconhecimento

Nas décadas seguintes, o desenvolvimento da pesquisa realizada no Instituto o tornou em um referência internacional na produção de soros contra toxinas de artrópodes (como insetos e aracnídeos). Especializou-se também na produção de insumos para vacinas e outros biofármacos para uso humano.

Em 1988, o Instituto inaugurou o Centro de Biotecnologia (atual Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas), em conjunto com o Ministério da Saúde. O objetivo era ampliar a fabricação de soros e vacinas.

Na década de 2010, a América Latina foi atingida pela epidemia de zika, vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e a chikungunya. O Butantan fechou uma parceria com o NIH (National Institutes of Health), dos EUA, para a produção da vacina da dengue, e com a farmacêutica francesa Valneva, para o desenvolvimento da vacina contra a chikungunya.

A produção do Butantan

Vacinas e soros produzidos

O Instituto produz diversos tipos de soros e também é responsável pela fabricação de oito tipos de vacinas.

Pandemia de covid-19

Em junho de 2020, a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan firmaram parceria para o desenvolvimento de um imunizante contra o Sars-Cov-2, causador da covid-19: a vacina Coronavac. No mês seguinte, tiveram início os estudos clínicos de fase 3, em 11 centros de pesquisa ao redor do Brasil.

A produção de vacinas foi iniciada em outubro. Nos primeiros meses de 2021, a Coronavac foi a principal vacina utilizada na imunização dos brasileiros..

O Butantan também tem papel importante na pesquisa sobre a pandemia no Brasil, com estudos, monitoramento de grupos e regiões vacinadas e outras iniciativas como o sequenciamento de variantes. Além da função de comunicador, realizando a transmissão dessas informações à população.

Em março de 2021, o Instituto anunciou o desenvolvimento de uma vacina produzida no Brasil contra o coronavírus, a Butanvac. O imunizante traria independência de insumos do exterior.

Colaborou Mariana Mattos (Butantan).

Fonte: Instituto Butantan, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, e Open Datasus, do Ministério da Saúde.

Produzido por Lucas Gomes e Caroline Souza

Arte e gráficos por Lucas Gomes, Caroline Souza e Gabriella Sales

Dados por Gabriel Zanlorenssi

Roteiro por Caroline Souza e Lucas Gomes

Desenvolvimento por Caroline Souza

Edição por Gabriel Zanlorenssi

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