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(colunista até agosto de 2016)

O tempo é curto

17 de maio de 2016

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Infelizmente, perdemos o momento da transição mais suave. A gravidade da crise requer um ajuste mais rápido

Os desafios do novo governo para superar as graves dificuldades da economia brasileira são impressionantes. O déficit público este ano, na ausência de reformas significativas, pode chegar a 150 bilhões de reais. O déficit da previdência deve ultrapassar 130 bilhões de reais. E, a continuar as regras atuais, deverá aumentar em cerca de 35 bilhões de reais no próximo ano.

O gasto público tem aumentado cerca de 4% acima da inflação ao ano nos últimos anos. E esse aumento decorre das regras para diversas políticas públicas, como a previdência social, e o reajuste da folha de pagamentos e da previdência dos funcionários do setor público.

Como decorrência da grave crise econômica, a renda por habitante pode cair perto de 10% no triênio 2014-2016.

Interromper a deterioração das contas públicas e a trajetória de aumento da dívida pública requer reformas que interrompam o crescimento de diversas despesas acima da inflação e, com frequência, acima do crescimento da renda nacional. Não será tarefa fácil. Requer diagnóstico técnico sobre as causas dessa tendência e capacidade política de negociar possíveis soluções.

A agenda de reformas passa pela revisão de diversas políticas públicas e benefícios a grupos sociais e do setor produtivo. Em um país desigual e de renda média, como o Brasil, essas reformas deveriam proteger os grupos mais vulneráveis, as famílias com renda entre os 10% mais pobres.

(colunista até agosto de 2016)é presidente do Insper, Ph.D. em economia pela Universidade da Pensilvânia. Atuou como professor assistente no Departamento de Economia da Universidade de Stanford e da EPGE/FGV. Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e presidente do Instituto de Resseguros do Brasil. Diretor executivo do Itaú-Unibanco, entre 2006 e 2009, e vice-presidente até 2013.

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