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Esta semana está na moda defender a redução do Estado, então vou na onda, que sou desses. Clamo: por um Estado que não fique intervindo na minha vida e desperdiçando o meu dinheiro.
Não dá para tolerar por exemplo um Estado que torra bilhões de todos – em dinheiro e em vidas humanas – para impor ao país os valores morais de alguns. Veja nossa política de drogas, com custos bilionários, totalmente irracional, comprovadamente ineficaz, um ralo de grana que só beneficia criminosos. De onde o Estado tirou que tem o direito de pegar nossos impostos e usá-los para ficar fuçando nossa vida, fiscalizando que substância usamos, metendo-se na personalíssima decisão de que recurso usamos para aguentar o peso da existência?
Ou pegue o exemplo da lei do aborto, pela qual o Estado intervém na mais privada das propriedades – o corpo – em nome de crenças religiosas. Intervém na sagrada instituição da família e cria incentivos para que mulheres morram, sem que bebês sejam salvos (já que é sabido que a proibição de abortos não reduz o número de abortos).
Não dá para aceitar o mais irreversível dos intervencionismos estatais: a morte, como a que colheu o menino Marcos Vinícius da Silva , de 14 anos, que só queria chegar à escola. Que direito tem o Estado de pegar nosso dinheiro para comprar helicóptero, blindado, gasolina, rifle, munição e sair disparando a esmo matando um de nós?
Matando tantos de nós: o Estado brasileiro mata mais do que qualquer outro no mundo: este ano exterminou 5.000 pessoas, uma explosão em relação aos anos anteriores. E nesse número nem estão incluídas vítimas como Marielle Franco, morta por uma bala de propriedade do Estado, mas por autores desconhecidos.
Denis R. Burgiermané jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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