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Giovana Xavier

‘Amor e luta’: um encontro com Angela Davis

19 de março de 2019

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Sobre o dia em que conheci, em pessoa, uma das primeiras escritoras feministas que a biblioteca da Unicamp emprestou-me para levar para casa com um carimbo de 15 dias

É Carnaval! Você está com a família na Bahia. Entre ondas, confetes e arrochas, recebe de Lilia Schwarcz (que Mu-lher!), uma das historiadoras mais importantes do Brasil, um e-mail. A mensagem carrega o sugestivo título “Princeton”. Mudança de planos. Na última semana de férias, você desembarca em Nova York. Entre risos, lágrimas, superações, chegou a vez de celebrar o legado da socióloga e vereadora Marielle Franco. 14 de março de 2019. Lutos. Lutas.

Dia. “What does #mariellepresente it mean?” Noite. #mulheresnegrasmovemomundo. Em uma sala de jantar com ares coloniais, filósofa, antropóloga, socióloga e historiadora reinventam suas próprias verdades. Embora tenha aprendido se tratar de missão impossível, o quarteto realizou uma proeza: desmantelar a casa grande com as ferramentas do senhor. Em resposta ao improvável fato, suas integrantes despertaram o desejo incontrolável de muitos selfies, beijos, abraços. Doutoras em serem elas mesmas, partiram felizes.

(Intelectuais Negras: um tanto esotéricas assim – relato de uma noite inesquecível, abrilhantada por uma estrela chamada Angela Davis e pelas reluzentes Aisha M. Beliso-De Jesus e Tianna Paschel ).

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Amor e luta. Foi com estas duas palavras que a grande filósofa e ativista Angela Yvone Davis autografou meu exemplar de “ Mulheres, Cultura e Política ”. Essa cena icônica, registrada sob diferentes lentes (viva a tecnologia!), ocorreu durante um jantar, promovido pelo Brazil LAB . Isso depois do primeiro dia do seminário “Feminismos Negros nas Américas: Um tributo à ativista política Marielle Franco”, no qual estivemos juntas. O cenário: nada mais, nada menos do que Princeton University.

Giovana Xavieré professora da Faculdade de Educação da UFRJ. Formada em história, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado, por UFRJ, UFF, Unicamp e New York University. É idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras. Em 2017, organizou o catálogo “Intelectuais Negras Visíveis”, que elenca 181 profissionais mulheres negras de diversas áreas em todo o Brasil.

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

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