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Marcelo Coelho

Previsões para a morte da inteligência artificial

01 de março de 2023

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Não entendo por que razão, com todo esse avanço, meu computador continua burro. Ainda me faz perguntas idiotas para saber se sou de fato humano

Vejo que a inteligência artificial já consegue fazer trabalhos escolares, sinfonias, e talvez artigos melhores do que os meus.

Anunciam que, logo logo, você nem vai precisar conversar com parentes pelo telefone; a máquina reproduz a sua voz e diz o que você diria para cada interlocutor.

Que seja! Poderei desenvolver o meu Alzheimer sem que ninguém perceba – e, quem sabe, até morrer sem causar tristeza ao meu círculo mais próximo.

O que não entendo é por que razão, com todo esse avanço, meu computador continua burro. Ainda me faz perguntas idiotas para saber se sou de fato humano.

A menos irritante exige apenas que eu clique numa rodelinha – e pronto, eles ficam satisfeitos. Sou humano; mas será que toda a IA ainda não foi capaz de clicar naquela rodelinha no meu lugar?

Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

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