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Que o machismo faz mal às mulheres, aos gays, a trans e queers de todo tipo, não é preciso dizer. Também não é novidade que o machismo faz mal a muitos homens: o tímido, o medroso, o inseguro, o delicado são suas vítimas clássicas.
Fazendo parte desse grande contingente dos não-tão-hétero-assim, tive de chegar aos 45, 50 anos, para me sentir relativamente tranquilo com a minha sexualidade, ou com a ausência dela.
Mas é precisamente nessa idade que aparece um novo desafio. Desafio é modo de dizer; trata-se de uma tolice, de uma coisa de nada, como explicarei em seguida.
Refiro-me ao exame de próstata. Sim, todo mundo sabe que deve ser feito, e há campanhas regulares em favor desse procedimento.
Ao mesmo tempo, quantas piadinhas… Quantos hô-hô-hôs produzidos pelo machismo inercial e onipresente em nosso mundo. Por mais que se diga, o tal exame surge como uma espécie de bicho-papão, à espreita de quem dobra a curva dos cinquenta.
Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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