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Em primeiro lugar, devo dizer que o ataque do Hamas a Israel foi um ato bestial, uma incursão terrorista desenfreada e bárbara. Foi um massacre, não há dúvida.
Mas, em segundo lugar, não devemos também esquecer que….
Não. Não há “segundo lugar” aqui. Não há o “mas também”. Não há o “não se pode deixar de lembrar que”. Recuso-me, num caso desses, a ouvir “explicações” e “contextualizações”. Atos como esse do Hamas se situamfora e além de sua própria circunstância histórica.
Trata-se do mal transcendente e absoluto. Algo que seria considerado maligno há 2.000 anos, há 200 anos ou há 20 anos, tanto quanto há dois dias; e que será maligno sempre, quando todas as fronteiras territoriais, todas as bandeiras, todos os hinos nacionais, todos os livros sagrados e tratados diplomáticos tiverem sido esquecidos.
Não por acaso se fala de crimes contra a humanidade. O que isso significa, senão dizer que a vítima não foi um grupo, uma cidade, um país específico, mas sim a humanidade inteira, em qualquer tempo e lugar? Pois é a própria ideia do que constitui o “humano” que é atacada em eventos como esses.
Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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