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Não sei se acontece com todo mundo; escrevo aqui para ver se alguém se reconhece. É sobre sonhos.
Antigamente, eu sonhava, acho, com qualquer coisa: pessoas, bichos, personagens, medos. Os temas variavam. Depois, passei longos anos sem me lembrar do que sonhava; era como se só dormisse e pronto.
Agora, que estou bem mais velho, vai acontecendo uma coisa diferente. Os sonhos estão ficando cumulativos. É como se, cada noite, eu voltasse aos mesmos lugares e acrescentasse algo à paisagem que já conhecia de antes.
Primeiro fato: quase que exclusivamente, meus sonhos são sobre lugares. Não sou, acho que nunca fui, de sonhar muito com pessoas. Não há ninguém; estou quase sempre sozinho.
E quase sempre estou à beira-mar. Há uma antiga praia, onde passava os verões da infância, que reaparece. Mas esburacada, bloqueada de pedras e cimento, invadida pelo mar, a ponto de, veja só, eu pensar que tive um tremendo prejuízo como proprietário do terreno…
Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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