O que é circuit breaker. E quando ele aconteceu no Brasil
Rafael Iandoli
18 de maio de 2017(atualizado 28/12/2023 às 12h59)Mecanismo tenta conter volatilidade em ‘momentos atípicos no mercado’. Pandemia de coronavírus foi responsável por sua mais recente utilização
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Corretor aponta variação e queda no valor de ações no Brasil
As negociações do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo foram suspensas pela quinta vez em 2020. Nesta segunda-feira (16), às 10h24, a Bolsa ficou paralisada pouco tempo depois que abriu. Antes disso, a quinta-feira (12) viu a suspensão por duas vezes no mesmo dia, e nos dia 9 e 11 de março, a Bolsa havia sido suspensa uma vez em cada dia.
O procedimento, conhecido como circuit breaker, ocorreu em meio às medidas anunciadas pelo Federal Reserve (FED) e outros bancos centrais, que colocaram em dúvida mercados globais, e o acirramento da pandemia do coronavírus.
Na semana passada, o procedimento foi adotado no dia 12 em meio à disparada do dólar a R$ 5,01 e aprovação pelo Congresso Nacional da ampliação do Benefício de Prestação Continuada (BPC). No 11, após a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarar estado de pandemia do novo coronavírus. E no 9, em reflexo da brusca queda no preço do petróleo nos mercados internacionais, num processo iniciado ainda no domingo (8).
Antes desta semana, o circuit breaker havia sido acionado em 2017, quando veio a público o conteúdo da delação premiada dos donos da JBS, Joesley Batista e Wesley Batista, que atingia diretamente o então presidente Michel Temer.
Quando o Ibovespa , ou seja, o índice de desempenho das ações “de maior comerciabilidade e representatividade” de companhias brasileiras na Bolsa, cai 10% em relação ao fechamento do dia anterior, os negócios são interrompidos por trinta minutos.
Uma queda acentuada dos preços na Bolsa acontece quando a oferta de ações dessas principais companhias é muito maior do que a demanda no momento — ou seja, os investidores estão querendo se livrar dos papéis, mas ninguém quer comprá-los. Esse movimento é tão grande que os valores caem bruscamente.
A ideia da interrupção é “amortecer” e “rebalancear” as compras e vendas de ativos, segundo o próprio manual de operações da Bolsa, ou seja, “uma ‘proteção’ à volatilidade excessiva em momentos atípicos de mercado”. Espera-se que, durante a pausa, as compras e vendas sejam reorganizadas e, com isso, se evite uma queda livre ainda mais brusca.
Caso, depois da retomada de atividades, a queda chegue a 15% comparada ao dia anterior, uma nova pausa é decretada, dessa vez por uma hora. Se a variação negativa do Ibovespa persistir após essa segunda pausa e bater os 20%, então os negócios na Bolsa são suspensos por um “prazo definido a seu critério”.
O dia 19 de outubro de 1987 ficou conhecido nos EUA como “ Black Monday ” (segunda-feira negra, em português), por ter marcado a maior queda percentual em um dia da história até então na Bolsa de Valores de Nova York.
US$ 500 bilhões
foi o total de perdas na Black Monday
A economia americana passava por um momento de altas constantes, fortalecida pelo boom dos computadores pessoais. Mas a confiança nas ações dessas empresas não estava totalmente consolidada. O mercado mundial apresentava volatilidades, o que fez com que investidores na Bolsa americana vendessem suas ações para comprar investimentos mais seguros — como títulos, por exemplo.
O êxodo foi massivo, e a queda da Bolsa americana foi de 22,6% naquele dia. Naquele mesmo mês de outubro, a Bolsa de Nova York instituiu o circuit breaker, também dividido em três níveis, embora lá eles sejam baseados em pontos, e não em queda percentual, como em São Paulo.
Essa foi a 17ª vez que o mecanismo foi acionado no Brasil. A ocasião anterior aos cinco circuit breakers de 2020 aconteceu em 18 de maio de 2017, e ficou conhecida no jargão do mercado financeiro como Joesley Day, em alusão ao nome do empresário que envolveu em sua delação premiada o nome do então presidente Michel Temer, posteriormente denunciado pelo Ministério Público pelos crimes de obstrução de Justiça, no qual foi absolvido , e corrupção passiva. O episódio gerou instabilidade política no país em um momento em que Temer conduzia uma agenda de reformas econômicas cujo sucesso era esperado pelo mercado.
Antes disso, a bolsa paulistana havia acionado o circuit breaker em 2008, quando o Congresso dos EUA recusou um pacote de ajuda financeira do governo ao mercado, na época afetado pela bolha do setor imobiliário no país. A notícia gerou instabilidade em todo o mundo, e o Brasil não ficou de fora.
Antes disso, em 14 de janeiro de 1999, o circuit breaker também foi acionado quando a ainda chamada Bovespa (hoje se chama BM&FBovespa) despencou mais de 10% em um dia em momento de desvalorização acentuada do real. A equipe de economia do governo decidiu adotar,entre outras medidas que geraram incertezas nos investidores, o câmbio livre. O mesmo havia acontecido no dia anterior.
O fim da década de 1990 não era tão estranho ao circuit breaker quanto os tempos atuais. Além das situações já citadas, o mecanismo foi acionado em outras oito ocasiões. As ocorrências estavam associadas a crises internacionais: a russa em 1998, e a asiática em 1997. Além da Bovespa, a Bolsa do Rio de Janeiro (BVRJ), que não existe mais, viveu a paralisação.
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