A Bíblia pode ser lida como literatura. É no que editoras apostam
José Orenstein
20 de maio de 2017(atualizado 28/12/2023 às 02h28)Novas edições tornam texto mais acessível. Tradução direto do grego para o português revela novos sentidos para as Escrituras Sagradas
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Mais de 42% dos brasileiros têm uma Bíblia
É frequente a constatação: o brasileiro lê pouco. Num país de mais de 200 milhões de pessoas, as tiragens iniciais de lançamento de livros beiram os 3.000 volumes. Menos de um quarto da população diz ter o costume de ler romances, segundo dados do Instituto Pró-Livro de 2015. E, no entanto, há um volume que destoa do pobre hábito de leitura nacional e é frequentador das mesas de cabeceira de mais de 42% dos brasileiros: a Bíblia.
De olho no sucesso atemporal do best-seller (que é também o livro mais vendido no mundo na história), editoras nacionais lançam suas versões da Bíblia. Mas com uma diferença: as escrituras sagradas recebem novas traduções – e são tratadas como literatura.
Em 2011, na Noruega, o mercado editorial viveu fenômeno parecido.
No Brasil, em outubro de 2016, a Mundo Cristão lançou uma nova tradução, com tiragem de 500 mil exemplares. O texto foi fixado a partir do trabalho de uma equipe de 14 pessoas, durante seis anos, na chamada Nova Versão Transformadora. A editora tem um claro recorte religioso na abordagem das Escrituras Sagradas, mas se preocupou em usar linguagem descomplicada e acessível. Substituiu, por exemplo, a segunda pessoa do plural pela terceira: sai o “vós” e sua conjugação empolada, entra o prosaico “você”.
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