O consumo de orgânicos no Brasil, segundo esta pesquisa
Juliana Domingos
04 de setembro de 2019(atualizado 28/12/2023 às 12h58)Cada vez mais pessoas compram produtos sem agrotóxicos e aditivos químicos, mas custo e acesso ainda são obstáculos para o crescimento do mercado no país
Produção orgânica de hortaliças
Divulgada na quarta-feira (4), a edição de 2019 da pesquisa Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil revelou aumento de consumidores desse tipo de produto em relação ao primeiro ano em que o estudo foi realizado, em 2017. Ela foi encomendada pelo Organis , entidade que reúne empresas, produtores e fornecedores do setor.
Em 2019, 19% dos participantes havia consumido produtos orgânicos nos 30 dias anteriores. Em 2017, 15% respondeu sim à mesma pergunta.
Segundo definição da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a produção orgânica busca eliminar danos sociais e ambientais . Ela não faz uso de agrotóxicos, transgênicos ou de aditivos químicos sintéticos e não degrada o solo, podendo até incrementar sua fertilidade.
Baseada em geral em um uso mais intensivo de mão de obra, a produção orgânica se preocupa ainda em manter relações de trabalho mais justas. Via de regra, os produtos orgânicos precisam ser certificados pelo Ministério da Agricultura, do qual recebem um selo para ser comercializados no país.
Entre os respondentes, 75% apontaram os produtos orgânicos como mais caros ou muito mais caros em relação aos não orgânicos. Deles, 48% consideram a diferença de preço justificada e 52%, não.
AoNexo o diretor da Organis, Cobi Cruz, disse que chama atenção o entendimento acertado do consumidor de que o orgânico custa mais porque é mais caro de produzir. Isso se deve, por exemplo, à mão de obra, maior e melhor remunerada no sistema agropecuário orgânico. Na pesquisa, dos que acham que o preço mais alto do orgânico se justifica, quase metade apontou o custo de produção como causa.
Já os que não consideram a diferença de preço justificada apontam, por exemplo, que os produtos deveriam ter preço menor para incentivar o consumo, ou que deveriam ser mais baratos, já que “não gastam com agrotóxico”.
O diretor do Organis afirma que o preço dos orgânicos vem se tornando mais acessível nos últimos anos, com o crescimento da produção. Ainda assim, pela forma como é produzido, Cruz afirma que ele nunca custará o mesmo que o não orgânico. “O entendimento de que o orgânico é caro é baseado em uma comparação injusta”, diz. “O orgânico tem um benefício coletivo, social e ambiental. A comida [não orgânica] é barata por quê, o que está por trás disso?”.
Sobre a facilidade de encontrar produtos orgânicos em sua região, 47% afirmou ser difícil ou muito difícil, contra 27% que declarou ser fácil ou muito fácil.
Segundo Cruz, o abastecimento de orgânicos ainda se concentra predominantemente nas capitais. O problema é, em parte, de escala – ainda não se produz o suficiente – e em parte de desinformação, tanto de consumidores diretos quanto das redes de varejo, sobre onde encontrá-los.
Ele afirma que o maior consumo na região Sul demonstrado pela pesquisa se explica pelo fato de ser a região com maior número de produtores orgânicos do país. A escala de produção melhora a logística, fazendo com que produtos orgânicos possam ser encontrados mesmo no interior do estado. Outro fator é a atuação da Rede Ecovida : formada em 1998, ela articula famílias produtoras e consumidores, além de ter desenvolvido uma metodologia de certificação participativa .
A “Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil” entrevistou pouco mais de mil pessoas entre maio e junho de 2019 em capitais de todas as regiões do país.
Os municípios escolhidos foram sorteados e a quantidade de entrevistas realizadas em cada um foi estabelecida de acordo com seu porte. Na última etapa, foram selecionadas unidades amostrais por sexo, faixa etária, escolaridade e classe social, para compor uma amostra estatisticamente significativa da população brasileira responsável pelas compras para a casa. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Os respondentes eram maiores de 18 anos e tinham em média 40 anos, sendo 44% homens e 56% mulheres.
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