Expresso

A mobilização da geração de 1968 para ir às ruas após a vacina

Aline Pellegrini

30 de março de 2021(atualizado 28/12/2023 às 23h03)

Grupo que se manifestou contra a ditadura militar nos anos 1960 se organiza para protestos contra o presidente Jair Bolsonaro

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FOTO: PILAR OLIVARES/REUTERS

Em janela, idosa segura tampa de uma panela com uma mão e com a outra bate nela enquanto grita algo

Mulher em panelaço contra o presidente Jair Bolsonaro

Em maio de 1968, jovens pelo mundo se mobilizaram contra os valores dominantes da sociedade de então. O anseio por mudança também tomou as ruas do Brasil, que teve um ano de mobilizações estudantis em meio à ditadura militar. Em 2021, agora idosos, participantes dos movimentos dos anos 1960 articulam um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro. A ideia é aproveitar que a faixa etária está sendo vacinada contra a covid-19.

A ideia foi levantada na sexta-feira (26) pela economista Laura Carvalho em postagem em suas redes sociais. Nela, Carvalho afirmou que sua mãe, prestes a ser vacinada, combinava com amigos já imunizados “de fazer uma manifestação depois da segunda dose pra tirar esse governo”.

A ideia foi abraçada pelo jornalista Juca Kfouri, 71 anos, que escreveu em sua coluna na Folha de S.Paulo uma convocação para que os maiores de 60 anos se envolvam no movimento político. A data sugerida para o protesto é 26 de junho, mesmo dia em que ocorreu a Passeata dos 100 mil, no Rio de Janeiro, em 1968.

Há 53 anos, a manifestação contra a ditadura militar organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) reuniu estudantes universitários e secundaristas, professores, artistas, representantes da Igreja Católica, entre outros. Os protestos de 1968 no Brasil foram sufocados em 13 de dezembro daquele ano pelo AI-5, o Ato Institucional nº 5, que deu início ao período mais repressivo e violento do regime.

No domingo (28), Kfouri escreveu que “é hora sim de celebrar a vida, de sairmos do imobilismo imposto pela pandemia, esgotadas as panelas, inócuos os manifestos, hora de soltar a voz nas estradas”.

O jornalista José Trajano, 74 anos, também havia aderido à mobilização . Em suas redes sociais, ele escreveu que apoia a ideia e que “os jovens terão que ficar em casa e torcer pelos avós”, em referência à previsão de que quem nasceu depois dos anos 1970 não terá recebido as duas doses da vacina até o fim de junho.

No domingo (28), Trajano voltou atrás. Ele afirmou que, mesmo vacinados, o ideal é permanecer em casa. Segundo o jornalista, profissionais da saúde consultados por ele não recomendam aglomerações nem para quem já foi completamente imunizado contra a covid-19.

Possíveis riscos

Mesmo pessoas vacinadas podem ser infectadas pelo novo coronavírus. Embora casos do tipo ainda sejam raros, são um lembrete de que o imunizante não desobriga, por enquanto, o uso de máscaras e de distanciamento social.

Estudos em andamento tentam avaliar se as vacinas contra covid-19 também previnem ou reduzem a transmissão do vírus, além de proteger contra sintomas. Até que esses resultados estejam disponíveis, existe a possibilidade de um vacinado transmitir a doença , segundo o Instituto Robert Koch (RKI), entidade governamental alemã.

O surgimento das novas variantes no Brasil também complica as incertezas. Quando uma variante do novo coronavírus é detectada, as vacinas que já estão sendo aplicadas precisam ser testadas contra elas, para que haja certeza de que o imunizante também protege contra as novas cepas.

Em 2020, estudo da Universidade de Oxford mostrou que os protestos que aconteceram nos EUA em maio após a morte de George Floyd não impactaram diretamente o número de novos casos de infecção pelo novo coronavírus. As manifestações ocorreram em local aberto e com participantes utilizando máscaras, dois fatores que limitaram a ação do vírus, segundo os pesquisadores. Naquela época, no entanto, as variantes ainda não eram uma preocupação.

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