Expresso

Como a tragédia dos Yanomami volta a ecoar no exterior

Mariana Vick

31 de janeiro de 2023(atualizado 28/12/2023 às 19h58)

Líder Davi Kopenawa fala nos Estados Unidos sobre emergência sanitária, enquanto notícias repercutem na imprensa e Alemanha anuncia apoio para ações socioambientais no Brasil. Crises semelhantes geraram campanha global no século 20

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FOTO: CLAUDIA ANDUJAR/INSTITUTO MOREIRA SALLES

Fotografia em preto-e-branco mostra imagens sobrepostas de indígenas com penas de urubu e falcão na cabeça.

Convidado decorado com penas de urubu e falcão em banquete, região do Catrimani, 1974. Foto de Claudia Andujar que compõe exposição em Nova York

Liderança yanomami e um dos autores do clássico “A queda do céu: palavras de um xamã yanomami”, Davi Kopenawa falou nesta terça-feira (31) em evento do Brazil Lab , centro de pesquisa parceiro do Nexo Políticas Públicas , na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, sobre a crise humanitária que explodiu em 2023 no território:

“Eu tô de luto. O meu povo, Yanomami, está doente e morrendo. Nossas crianças adoeceram. Adoeceram a doença do homem branco. A doença que entra junto com destruidores”

Davi Kopenawa

líder yanomami, em evento nesta terça-feira (31) na Universidade de Princeton, nos EUA

Junto com ele estavam ativistas, antropólogos e estudantes, que também fizeram menção à fotógrafa Claudia Andujar . Aos 91 anos, ela estreia em Nova York uma exposição sobre os Yanomami em fevereiro, num momento em que volta a crescer o interesse global pelos povos indígenas do Brasil.

Esta não é a primeira vez que a situação dos Yanomami chega ao noticiário global. Momentos de crise tão agudas quanto a atual ocuparam as páginas de notícias na mídia estrangeira e motivaram protestos em outros países na segunda metade do século 20. O Nexo recupera esses marcos e explica por que há tanto interesse pela situação dos Yanomami.

1960: primeiros contatos e textos na imprensa

Localizada entre o Amazonas e Roraima, incluindo parte da fronteira com a Venezuela, a terra indígena Yanomami abriga uma população de mais de 26 mil pessoas repartidas em 228 comunidades, que por séculos viveram de forma relativamente isolada, convivendo com indígenas vizinhos.

Os primeiros contatos com a sociedade nacional ocorreram na primeira metade do século 20, quando comunidades da região tiveram encontros com funcionários do antigo Serviço de Proteção ao Índio, órgão anterior à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), que passaram a ocupar a área junto com grupos como missionários, caçadores e balateiros.

FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 1º.JUL.2020

Jovens e crianças indígenas interagem em uma área verde. Um deles olha para a câmera.

Indígenas yanomami, em Roraima

O perfil da ocupação do território foi esse até a década de 1970, na ditadura militar (1964-1985). Com um discurso nacionalista, o novo governo criou um projeto de desenvolvimento e de integração da Amazônia que incluiu iniciativas como a abertura da estrada Perimetral Norte, cuja obra, a partir de 1973, levou epidemias como de gripe e malária aos Yanomami.

A crise coincidiu com a publicação de reportagens paradigmáticas sobre a situação dos povos originários do Brasil. Em 1971, a antiga revista Realidade publicou uma edição especial sobre a Amazônia tendo na capa a foto de uma mulher yanomami feita por Claudia Andujar, que começou ali a história de seu trabalho com os indígenas.

“A edição especial da revista Realidade de outubro de 1971 não foi apenas a ‘mais longa, custosa e apaixonante reportagem’ já realizada pela Editora Abril, como proclamava o seu dono, Victor Civita, na ‘Carta do Editor’, mas a maior de todas as reportagens da história da imprensa brasileira”

Lúcio Flávio Pinto

jornalista , em entrevista de 2011 ao site Observatório da Imprensa

Fora do Brasil, a Sunday Times Magazine publicou em 1969 uma longa reportagem sobre o extermínio de indígenas brasileiros empreendido desde as décadas anteriores. Revelados pelo Relatório Figueiredo em 1967, a matança e o roubo de terras indígenas por latifundiários e garimpeiros havia ocorrido com a conivência do Serviço de Proteção ao Índio, que acabou sendo dissolvido.

“Dos 19 mil mundurucus que se acreditava terem existido nos anos 1930, restavam apenas 1.200. A população de guaranis foi reduzida de 5.000 para 300 pessoas. Restavam 400 carajás dos 4.000 de outrora. Dos cintas-largas, que haviam sofrido um ataque aéreo e foram expulsos para as montanhas, possivelmente 500 sobreviveram de um total de 10 mil”

Norman Lewis

jornalista, em reportagem de 1969 publicada na Sunday Times Magazine e republicada em português 50 anos depois pela revista piauí

O trabalho teve repercussão internacional imediata. Em 1969, um grupo de pessoas impactadas pela situação dos indígenas no Brasil criou a organização Survival International, que até hoje faz campanhas e difunde informações sobre os problemas de povos de diversos países.

Segundo Sarah Schenker, ativista da Survival, a organização passou a trabalhar com os Yanomami pouco depois da fundação, no início dos anos 1970. “Não havia tanta mídia quanto hoje, mas começaram a sair mais notícias sobre graves problemas na terra Yanomami. Começou a partir daí uma campanha de mais de 20 anos pela demarcação”, disse ao Nexo .

1970 a 1990: campanha global por demarcação

O período seguinte à publicação dos primeiros trabalhos sobre os Yanomami foi marcado por uma nova fase de ocupação do território, quando, no fim dos anos 1970, chegaram à terra indígena garimpeiros atraídos pela publicação de um relatório do regime militar que apontava ali a existência de ouro.

O garimpo é proibido em terras indígenas no Brasil. A invasão garimpeira, porém, só cresceu até os anos 1980. Entre 1987 e 1990, a Survival estimava que cerca de 40 mil garimpeiros atuavam ilegalmente na terra Yanomami — uma população maior que a das próprias comunidades locais.

FOTO: NACHO DOCE/REUTERS – 05.08.2017

Garimpeiro maneja bateia (espécie de bandeja própria ao garimpo) em água barrenta.

Garimpeiro maneja bateia em busca de ouro no município de Itaituba, no interior do Pará

Essa ocupação agravou os problemas sanitários que atingiam a região desde os anos anteriores. Os garimpeiros não só levaram mais doenças para os indígenas, como contaminaram rios e peixes com mercúrio — o que provocou insegurança alimentar e mortes por desnutrição e intoxicação, em uma situação muito parecida com a atual.

“[Em 1993 os Yanomami] tiveram um número de casos de malária proporcionalmente sete vezes maior que a população de Roraima, um coeficiente de mortalidade geral duas vezes e meia maior que o da cidade do Rio de Janeiro e mortalidade infantil duas vezes e meia maior que o da cidade de Fortaleza: são dos piores indicadores de saúde do Brasil que os Yanomami conseguem superar, para baixo”

Marcos A. Pellegrini

médico sanitarista que trabalhou com os Yanomami, em texto para a publicação “Povos indígenas do Brasil: 1991-1995”, do Instituto Socioambiental

20%

da população Yanomami morreu entre 1987 e 1993 em decorrência do garimpo ilegal, segundo estimativa da Survival

O quadro chamou a atenção da sociedade civil. Em 1980, o caso dos Yanomami foi denunciado à OEA (Organização dos Estados Americanos), que cinco anos depois ordenou que o Brasil protegesse o território. Schenker contou ao Nexo que, no Reino Unido, manifestantes passaram a protestar de forma regular em frente à Embaixada brasileira, ao mesmo tempo que Davi Kopenawa viajou pela Europa e ativistas enviaram cartas e marcaram reuniões com políticos.

FOTO: DIVULGAÇÃO/SURVIVAL

Imagem em preto-e-branco mostra pessoas lado a lado, na rua, com cartazes que pedem, em inglês, o fim da violência contra o povo Yanomami.

Protesto no exterior contra a violência na terra Yanomami

A pressão a favor dos indígenas levou o Brasil a iniciar, a partir de 1988, ano de promulgação da nova Constituição, o processo de demarcação da terra Yanomami. Protestos de organizações da sociedade civil na época fizeram o então presidente José Sarney recuar na implementação de um projeto que previa a destinação de uma área reduzida e incentivaram o governante seguinte, Fernando Collor, a atender às demandas dos povos indígenas.

Collor, que buscava atrair publicidade positiva em um momento de ascensão do debate ambiental, demarcou a terra Yanomami em 1992 apesar do lobby contrário de setores como o militar. O território Yanomami se tornou a maior terra indígena do Brasil.

2023: novos patamares da crise

Com a expulsão do garimpo da terra Yanomami nos anos seguintes à demarcação, ainda no governo Collor, houve poucos casos dentro do território de repercussão semelhante à dos anos 1970 e 1980 ou mesmo à de hoje, segundo Schenker.

Apesar de episódios como o massacre de Haximu , em que garimpeiros brasileiros mataram indígenas yanomami venezuelanos em 1993 — caso que gerou a primeira condenação por genocídio no Brasil —, a ativista disse não conseguir “imaginar outro momento com tanta visibilidade e repercussão dentro e fora do Brasil” quanto a atual crise sanitária.

FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 27.JAN.2023

Adulto e criança indígena de aparência desnutrida em rede

Indígenas Yanomami recebem tratamento emergencial em Boa Vista, após resgate de força-tarefa do SUS (Sistema Único de Saúde)

Depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a terra Yanomami, no dia 21 de janeiro, para verificar a emergência de saúde, veículos internacionais como The New York Times, Washington Post e Reuters escreveram sobre o caso — alguns chamando-o de genocídio ou comparando as imagens divulgadas de crianças desnutridas com as de campos de concentração.

Denúncias veiculadas pelos próprios indígenas nas redes sociais contribuíram para dar visibilidade à situação. “O contexto de comunicação é totalmente diferente [em comparação com a campanha pela demarcação dos anos 1980]”, disse Schenker ao Nexo .

FOTO: RICARDO STUCKERT/PR – 21/01/2023

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de máscara, está reunido com sua comitiva e alguns indígenas Yanomami. Lula coloca a mão na nuca de uma Yanomami, vestida de vermelho.

O presidente da República visitou o estado de Roraima para acompanhar a situação da saúde na terra indígena Yanomami

Junto com a repercussão na imprensa, a crise tem tido impacto político. Na segunda-feira (30), a ministra da Cooperação e Desenvolvimento Econômico da Alemanha, Svenja Schulze, que esteve no Brasil, anunciou o repasse de € 203 milhões (R$ 1,1 bilhão) para ações socioambientais, que a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse que serão usados para combater a crise dos Yanomami.

“Mais e mais, os olhos do público estão se voltando para o fato de que os povos indígenas são os melhores guardiões da natureza”, disse Schenker. “E isso tem sido mais destacado no contexto da luta global contra a mudança climática”, que tem crescido em diversos países, inclusive no Brasil, em discursos do novo governo Lula.

O que explica a repercussão dos Yanomami

Davi Kopenawa disse nesta terça (31) que os Yanomami são conhecidos dentro e fora do Brasil por seu papel para o meio ambiente. “Fica de olho no meu povo, Yanomami, que está protegendo a Amazônia”, afirmou. “Todo mundo sabe que a floresta amazônica é importante.”

O líder indígena cobrou que o novo governo cumpra a promessa de expulsar o garimpo do território. “A gente escutou a fala do presidente Lula”, disse. “Eu pedi para ele tomar as providências com urgência. Não é amanhã. Não é depois de amanhã. É urgente.”

FOTO: PABLO LEVINAS/SURVIVAL BRASIL

Homem de camisa social com cocar na cabeça

Davi Kopenawa Yanomami, escritor, ativista e xamã Yanomami

Para Schenker, o alcance de líderes como Kopenawa está entre os fatores que despertam o interesse global sobre a situação dos Yanomami. “Os Yanomami estão entre os povos mais conhecidos dentro e fora do Brasil”, disse. “Essa é a maior terra indígena do Brasil, e ele [Kopenawa] tem um dom natural de chegar longe.”

Em 2023, a visita do presidente da República à terra indígena e a divulgação de imagens chocantes de crianças e idosos com desnutrição também explicam a repercussão da crise. “Essa situação dramática não deveria ser necessária para o mundo abrir os olhos, mas é assim”, disse.

“Era para [a visibilidade da crise Yanomami] ter acontecido antes. Agora temos mídia, pressão política, do movimento indigena, de trabalho jurídico. Mas é tarde. Centenas de crianças morreram. Essas mortes poderiam ter sido evitadas”

Sarah Schenker

ativista da ONG Survival International, em entrevista ao Nexo

A exposição de Claudia Andujar em Nova York acontece de 3 de fevereiro a 16 de abril no centro de arte The Shed. A curadoria é de Thyago Nogueira, do Instituto Moreira Salles, que também exibiu o trabalho da fotógrafa no Brasil em 2019, e tem orientação de Davi Kopenawa.

Schenker disse ao Nexo que é positivo que a crise Yanomami tenha chamado a atenção de outros países — tanto da imprensa quanto de governos —, mas o apoio aos indígenas não deve se limitar ao discurso político. Para ela, é preciso evitar falsas soluções e promessas. “A única solução é a proteção das terras indígenas”, disse.

1

Foi apresentado como opção para o prêmio Nobel da Paz em 2020.

Resposta:

raoniO cacique Raoni Metuktire O cacique Raoni Metuktire O cacique Raoni Metuktire

A data de nascimento de Raoni Metuktire é incerta: em 1930, 1940 ou 1942, nascia de pai do povo Metuktire, da etnia Kayapó, em uma vila hoje chamada Kapot, no estado do Mato Grosso. Advogou a favor da criação de terras indígenas no Brasil, como o Parque Nacional do Xingu, estabelecido em 1961, e contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada em 2019, no Pará. Para isso, contou com o apoio de diversas personalidades internacionais, como músicos e cineastas. Junto ao cantor britânico Sting, por exemplo, de quem é amigo desde 1987, participou de encontros, palestras e entrevistas em 17 países onde difundia suas pautas ambientais. Já com o diretor belga Jean-Pierre Dutilleux foi selecionado ao Festival de Cannes e indicado ao Oscar de melhor documentário pelo filme “Raoni”, que mostrou a luta de indígenas kayapó pela preservação das terras e costumes.

Durante suas turnês, encontrou-se com líderes como o rei da Bélgica Leopoldo 3º, os presidentes francês François Mitterrand e brasileiro Juscelino Kubitschek, e os papas João Paulo 2º e Francisco. Em setembro de 2019, foi alvo de ataques do presidente Jair Bolsonaro durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, por quem foi chamado de “peça de manobra” de governos estrangeiros com interesses econômicos na Amazônia. No mesmo mês, Raoni teria sua
candidatura proposta ao Nobel da Paz de 2020.

2

Em 1987, participou da Assembleia Constituinte, protestando pelos direitos dos povos indígenas ao pintar o rosto de preto.

Resposta:

ailtonkrenakO escritor Ailton KrenakO escritor Ailton Krenak

Ambientalista e escritor,
Ailton Krenak é uma das principais lideranças indígenas do país. Ele nasceu em 1953 no estado de Minas Gerais, na região do médio rio Doce, onde fica o território da etnia Krenak (o grupo se estende do Nordeste até o leste de Minas). Militante desde a juventude, tornou-se conhecido quando, em 1987, fez um pronunciamento na Assembleia Constituinte, em Brasília, protestando pelos direitos dos povos indígenas e
pintando o rosto com tinta preta de jenipapo. Após o episódio, Krenak continuou a se manifestar em defesa dos direitos indígenas, dialogando com movimentos sociais e o poder público. Por sua liderança, recebeu o título de Professor Doutor Honoris Causa em 2016 pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), em Minas. Em 2019, publicou o livro “
Ideias para adiar o fim do mundo”, que defende os saberes indígenas e a diversidade como antídoto para a
crise do clima que tem posto sociedades e o meio ambiente à prova.

3

Foi o primeiro indígena eleito a um cargo político no Brasil.

Resposta:

Mário JurunaMário Juruna, primeiro indígena eleito a um cargo político no BrasilMário Juruna, primeiro indígena eleito a um cargo político no BrasilHomem com terno e óculos ergue a mão enquanto fala em púlpito

Eleito em 1982 pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista),
Mário Juruna nasceu em 1943, na aldeia Namunjurá, no hoje município de Araguainha, no Mato Grosso. Adulto, quando o grupo foi acolhido pela Missão Salesiana de São Marcos, em Barra do Garças, também em Mato Grosso, foi cacique da aldeia. Antes de ser eleito, ficou conhecido por carregar um gravador no qual
registrava as promessas de políticos de alto escalão. Como deputado federal,
protagonizou episódios célebres como quando pediu a demissão de todo o ministério do governo do general João Figueiredo
em discurso no Dia do Índio; acusou o empresário Calim Eid, coordenador da campanha presidencial de Paulo Maluf, de tentar suborná-lo para que votasse no candidato; e presidiu a Comissão do Índio, responsável por modificar a composição da diretoria da Funai (Fundação Nacional do Índio), garantindo a formação de um conselho diretor que fiscalizasse a atuação da entidade nas áreas indígenas, a qual ele criticava por ser administrada por militares, e não índios. Não se reelegeu em candidaturas posteriores, mas atuou como assessor da Funai até 1994. Oito anos depois, viria falecer deixando 14 filhos de três esposas.

4

Foi a primeira mulher indígena a se candidatar a vice-presidente.

Resposta:

Sônia GuajajaraSônia Guajajara, primeira mulher indígena a se candidatar a vice-presidenteSônia Guajajara, primeira mulher indígena a se candidatar a vice-presidenteMulher com pinturas no corpo veste azul. Ao fundo, diversas pessoas com celulares batem palmas. Uma moça de cocar aparece em destaque atrás também

Uma das vozes mais ativas do movimento indígena no país,
Sônia Guajajara nasceu em 1974 no seio do povo Guajajara/Tentehar, que habita a Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Militante desde jovem, participa de movimentos pelo meio ambiente e pelos direitos dos povos indígenas, além de ser integrante do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). A ativista ganhou projeção no Brasil ao participar, nos últimos anos, de articulações contra projetos que restringiam os direitos indígenas e atacavam o meio ambiente no Congresso Nacional. Por seu trabalho, também ficou conhecida no exterior, participando de eventos como as
COPs (Conferências do Clima), onde comparece desde 2010. Em 2018, fez parte da chapa do PSOL para candidatura à Presidência, ao lado de Guilherme Boulos, militante do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Ambos receberam
0,58% dos votos válidos no primeiro turno. Ainda por seu ativismo, Guajajara recebeu o Prêmio Ordem do Mérito Cultural, concedido em 2015 pelo governo federal.

5

Foi a mulher que encostou um facão na bochecha de um representante do Estado, durante protesto contra o projeto da usina de Belo Monte, em 1989. A imagem do momento rodou o mundo.

Resposta:

tuiraA indígena Tuíra Kayapó coloca facão sobre o rosto do presidente da EletronorteA indígena Tuíra Kayapó coloca facão sobre o rosto do presidente da Eletronorte

A indígena
Tuíra Kaiapó nasceu em uma família do povo Kayapó, que vive entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso, em meio aos afluentes do rio Xingu. Ela ficou conhecida quando, em 1989, no 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, em Altamira (PA), colocou uma lâmina de seu facão no rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, que chefiava o projeto da construção da antiga usina de Kararaô — hoje, usina de Belo Monte, já concluída. Momentos antes do gesto que repercutiu no mundo, Tuíra contrapunha-se à construção da obra no Xingu. A ativista diz que desde a infância
foi incentivada pelos avós e os pais a se tornar guerreira, defendendo o território onde vivia. Ao lado de outros fatores, a ação da indígena naquele dia ajudou a levar o governo a adiar a construção da usina, que tinha tanta rejeição que só foi iniciada décadas depois, em 2011. Anciã, hoje Tuíra ainda protesta pelos direitos indígenas, como o fez em 2019 no chamado
Acampamento Terra Livre, em Brasília.

6

Ex-vereador, é um dos principais líderes de uma etnia que está no centro de conflitos violentos por terra no Mato Grosso do Sul.

Resposta:

Otoniel Guarani KaiowáOtoniel Guarani Kaiowá, uma das principais lideranças da etnia Guarani-KaiowáOtoniel Guarani Kaiowá, uma das principais lideranças da etnia Guarani-KaiowáHomem com cocar na cabeça é entrevistado. Vários microfones e mãos se posicionam para ouvi-lo

O ativista
Otoniel Ricardo é uma das principais lideranças da etnia Guarani-Kaiowá, que habita o estado do Mato Grosso do Sul. Ao lado de outros povos, os Guarani-Kaiowá vivem em terras que reivindicam para si, mas que não foram demarcadas — motivo pelo qual há anos a região onde vivem é alvo de disputa com produtores rurais. Ataques são constantes em regiões como a de Caarapó e Dourados, e indígenas têm sido vítimas de
assassinatos, sequestros, tortura e outros crimes atribuídos a invasores. Integrante da Aty Guasu, assembleia de lideranças dos Guarani-Kaiowá, Otoniel conduziu diversos protestos que tentam chamar a atenção do Estado para a violência em suas terras. “Nós estamos sendo atacados, estão nos matando, e cadê a Justiça?”, provocou ele durante o chamado de Ocupa Funai, ato nacional de 2016, quando indígenas ocuparam mais de 20 sedes do órgão nos estados. Otoniel foi também vereador em Caarapó pelo PT entre 2009 e 2012.

7

Foi a primeira mulher indígena eleita para o Congresso Nacional.

Resposta:

Joênia WapichanaJoênia Wapichana é primeira mulher indígena eleita para o Congresso NacionalJoênia Wapichana é primeira mulher indígena eleita para o Congresso NacionalMulher com colar colorido olha para o lado da câmera. Ao fundo, bandeiras de vários países

A deputada federal
Joênia Wapichana foi eleita ao cargo pela Rede Sustentabilidade em 2018, tornando-se a primeira mulher indígena a ocupar uma das cadeiras do Congresso. Ela nasceu em 1974 na comunidade indígena Truaru da Cabeceira, onde vive a etnia Wapichana, em Roraima, e passou a juventude em Boa Vista. Antes de se tornar deputada, Wapichana foi considerada a primeira mulher indígena a formar-se em direito no Brasil, quando obteve o diploma em 1997 pela UFRR (Universidade Federal de Roraima). Ela pensava, na época, em trabalhar para defender os direitos dos povos indígenas no Brasil. Conseguiu: em 2008, tornou-se,
mais uma vez, a primeira advogada indígena a se pronunciar no plenário do Supremo Tribunal Federal em um julgamento histórico, que definiu os limites da reserva indígena
Raposa Serra do Sol, em Roraima. Como deputada, Wapichana diz defender pautas como direitos indígenas, desenvolvimento sustentável, transparência e combate à corrupção.

8

É conhecido como o Dalai Lama da Floresta.

Resposta:

Davi Kopenawa YanomamiDavi Kopenawa Yanomami, escritor, ativista e xamã YanomamiDavi Kopenawa Yanomami, escritor, ativista e xamã YanomamiHomem de camisa social com cocar na cabeça

Escritor, ativista e xamã,
Davi Kopenawa Yanomami nasceu por volta de 1955 na região da Serra do Demini, na fronteira do Amazonas e Roraima com a Venezuela. Uma região habitada pela etnia Yanomami por onde só se chega de Boa Vista depois de duas horas de voo de monomotor ou dez dias de barco. Depois de anos de luta, em 1992 veio o reconhecimento do território na Amazônia com uma área maior que Portugal. Segundo, a organização Survival International, é também a maior área indígena coberta por floresta do mundo. Sua militância já soma mais de 30 anos, e veio depois de episódios violentos de invasão garimpeira, que reduziu a população Yanomami substancialmente entre 1950 e 1980. Coleciona uma série de prêmios internacionais,
como o Global 500 Award das Nações Unidas e em 1989, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que promove pessoas e projetos que tenham como objetivo preservar a natureza da destruição humana. O ativista Chico Mendes já recebeu esse prêmio. Em 2019, recebeu o Right Livelihood Award,
conhecido como “Nobel Alternativo”, que também celebrou outras três personalidades, como a ativista sueca Greta Thunberg.

9


Foi um dos principais defensores do reconhecimento da Terra Indígena de Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Resposta:

Jacir de Souza Macuxi nasceu em 1947, na Terra Indígena de Raposa Serra do Sol, formalizada em 2005 em Roraima. Foi um dos principais defensores para o reconhecimento formal da região. Com 30 anos foi escolhido tuxaua, uma espécie de líder de sua comunidade, e
convenceu os demais tuxauas da região das Serras a criarem conselheiros indígenas para combater o avanço do garimpo e o impacto negativo que exerciam por meio do alcoolismo, prostituição, violência e drogas. Com o sucesso da ideia, o resto do Estado passou a criar seus próprios conselheiros, embrião para o surgimento do Conselho Indígena de Roraima. Em 2009, recebeu o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente pela luta que desempenhou de mais de 30 anos pela Terra Indígena.

10

Homenageada com o Prêmio Equador da ONU, é líder de uma etnia na Amazônia cuja história é marcada pelos antigos caçadores de cabeças, representantes de um povo voltado à guerra.

Resposta:

Maria Leusa MundurukuMaria Leusa Munduruku, homenageada com o Prêmio Equador da ONUMaria Leusa Munduruku, homenageada com o Prêmio Equador da ONUMulher segura filho. Ambos estão com pinturas corporais. Ao fundo, perto do rio, barco está ancorado

A liderança
Maria Leusa Munduruku, nascida em uma família do povo Munduruku, que habita terras no Amazonas, no Pará e no Mato Grosso, recebeu o chamado Prêmio Equador, concedido pela ONU para quem combate a mudança climática, na COP (Conferência do Clima) de Paris, em 2015. A razão era seu ativismo, ao lado de seu povo, contra a instalação de hidrelétricas que poderiam alagar suas terras às margens do rio Tapajós, na Amazônia. Na época, um projeto do governo federal planejava construir sete obras do tipo na região. A maior delas, a usina de São Luiz do Tapajós, teria potência máxima de 8.040 megawatts, podendo alagar mais de 70 mil hectares de floresta. Após mobilizações, o projeto foi arquivado em 2016. Antes da colonização, os Munduruku tinham fama de guerreiros, notadamente por sua prática de caçar cabeças humanas, que simbolizavam poder, segundo seus representantes. Agora, o povo luta suas guerras não mais por meio da força, mas da
estratégia política. A principal ameaça, segundo eles, são governos que buscam restringir seu direito à terra.

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