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Em reação a 7 de setembro, partidos discutem impeachment

Da Redação

08 de setembro de 2021(atualizado 28/12/2023 às 23h20)

Legendas que não fazem oposição sistemática a Bolsonaro mencionam possibilidade após ataques mais recentes. Vice-presidente diz que governo tem base no Congresso e não há ‘clima’ para processo

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FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 24.JUL.2021

Imagem tirada de cima de um prédio mostra multidão na avenida Paulista, em frente ao prédio do Masp. Há centenas de cartazes contra Bolsonaro e a maioria das faixas é da cor vermelha

Manifestantes pedem o impeachment do presidente Jair Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo

Partidos que não fazem oposição sistemática ao governo de Jair Bolsonaro passaram a discutir a possibilidade de apoio ao impeachment do presidente. As conversas ocorrem após os atos antidemocráticos de 7 de setembro, nos quais Bolsonaro fez novos ataques às instituições e ameaças ao Supremo Tribunal Federal.

O PSDB convocou reunião extraordinária para quarta-feira (8) para “discutir a posição do partido sobre abertura de impeachment e eventuais medidas legais” em reação a Bolsonaro. Na terça-feira (7), os governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) defenderam a saída do presidente. O partido tem 33 deputados e 7 senadores no Congresso.

O PSD, por sua vez, anunciou que irá criar uma comissão para “acompanhar os desdobramentos das manifestações” e “avaliar as reações às ameaças realizadas ao Estado democrático”. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, afirmou que “começam a surgir indicativos importantes, que podem justificar o impeachment”. O PSDtem 34 deputados federais e 11 senadores e é uma das principais legendas do bloco do centrão, que atualmente dá sustentação ao governo .

O Cidadania, que tem sete deputados e três senadores, emitiu nota em apoio ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes – um dos principais alvos de Bolsonaro – e pedindo o impeachment. O presidente nacional do Solidariedade (14 deputados), Paulinho da Força, também se declarou favorável à remoção de Bolsonaro do cargo.

As legendas Democratas (28 deputados e 6 senadores) e PSL (53 deputados e uma senadora), que negociam fusão , emitiram comunicado conjunto repudiando as ameaças do presidente – mas não mencionaram o impeachment. Bolsonaro se elegeu em 2018 pelo PSL. As legendas afirmaram que “se torna imperativo darmos um basta nas tensões políticas, nos ódios, conflitos e desentendimentos que colocam em xeque a Democracia brasileira”. O MDB foi outro partido que se manifestou sem falar explicitamente em impeachment: “o próprio texto constitucional tem seus remédios em defesa da democracia”, disse o partido em nota. A legenda tem 34 cadeiras na Câmara e 16 no Senado.

Para além de comunicados oficiais, a jornalista Vera Magalhães, do jornal O Globo, revelou que uma reunião com representantes de ao menos oito partidos decidiu na terça-feira (7) por ações para aumentar a pressão sobre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para pautar o impeachment de Bolsonaro. Há mais de cem pedidos de impeachment na gaveta de Lira. Participaram do encontro representantes de PT, PSDB, Rede, DEM, PSB, PSL, PV e Cidadania. Em pronunciamento na quarta (8), Lira condenou “radicalismos e excessos”, mas não citou impeachment .

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse na quarta-feira (8) considerar que não há “clima” para o impeachment, “tanto na população, como um todo, como dentro do próprio Congresso”. Ele disse considerar que o governo tem uma “maioria confortável” de 200 deputados na Câmara. A abertura do processo de impeachment precisa de 342 votos. A votação da PEC do voto impresso – central para o discurso golpista de Bolsonaro contra o sistema eleitoral – foi derrubada em agosto , mas ainda obteve 228 votos favoráveis.

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