Sem Febraban, Fiesp publica manifesto por ‘pacificação’
Da Redação
10 de setembro de 2021(atualizado 28/12/2023 às 23h21)Entidade que representa a elite industrial de São Paulo enfim divulga documento que gerou ameaças de racha na associação da bancos. Texto sai um dia após recuo de Bolsonaro diante do Supremo
Skaf após assinatura de ficha de filiação ao PMDB, em Brasília
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) publicou nesta sexta-feira (10) um anúncio pago em alguns dos principais jornais e sites do país com um manifesto intitulado“ A Praça é dos Três Poderes ”, no qual pede a “pacificação” da crise, sem se dirigir “a nenhum dos Poderes especificamente”.
A nota da Fiesp seria publicada antes das manifestações governistas de 7 de Setembro, nas quais o presidente Jair Bolsonaro inflamou sua base radical nas ruas, ameaçando intervir no Supremo Tribunal Federal e colocando em xeque a democracia . A publicação do manifesto às vésperas dos atos seria uma forma de parcela importante da elite econômica tentar dissuadir oímpeto golpista de Bolsonaro.
O processo de formulação do manifesto e o debate sobre a data de publicação quase provocou um racha em outra entidade, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), cuja decisão inicial de subscrever o documento levou a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, estatais, a ameaçarem sair da entidade.
No fim, a nota da Fiesp foi publicada – sem que o nome da Febraban conste entre os signatários – no momento em que a tensão provocada por Bolsonaro já tinha arrefecido. Isso aconteceuum dia depois de o próprio presidente, aconselhado pelo seu antecessor Michel Temer, divulgar uma “carta à Nação” minimizando suas declarações golpistas em 7 de setembro. No documento, Bolsonaro afirma que falas como a ameaça de intervir no Supremo e a promessa de desobedecer ordens do tribunal foram ditas “no calor do momento” – algo que, se cumprido, seria enquadrado como crime de responsabilidade pelo órgão, de acordo com o seu presidente Luiz Fux. Por intermédio de Temer, o chefe do Executivo ainda conversou por telefone com o ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos inquéritos que emparedam Bolsonaro e seu entorno e principal alvo do presidente nas manifestações.
Sem citar Bolsonaro nem as ameaças que ele faz com frequência ao sistema democrático brasileiro, o manifesto da Fiesp pede “serenidade, diálogo” e “estabilidade”. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aliado histórico de Temer, é um empresário com pretensões políticas e e já tentou receber apoio de Bolsonaro para se lançar candidato ao governo do Estado de São Paulo.
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