Extra

Ex-chefe de inteligência do Cazaquistão é preso por traição

Cesar Gaglioni

08 de janeiro de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h18)

Karim Masimov comandava Comitê de Segurança Nacional até a eclosão de protestos contra a alta dos combustíveis. Convulsão social deixa dezenas de mortos no país da Ásia Central, em meio à forte repressão policial

O Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.

Temas

Compartilhe

FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER

Karim Masimov, ex-chefe de inteligência do Cazaquistão

Karim Masimov, ex-chefe de inteligência do Cazaquistão

O ex-chefe de inteligência e segurança do Cazaquistão, Karim Masimov, foi preso neste sábado (8) sob acusação de traição. Ele chefiava o Comitê de Segurança Nacional do país até quarta-feira (5), quando o gabinete do ex-primeiro-ministro Askar Mamin foi dissolvido em meio à explosão de protestos no país, motivados pela alta no preço do GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), combustível usado na calefação, na cozinha e em automóveis. Não foram detalhadas as suspeitas que motivaram a prisão de Masimov, anunciada pelo comitê que ele próprio presidia há até poucos dias, principal órgão de inteligência e espionagem do Cazaquistão.

Segundo o governo cazaque, a onda de manifestações no país resultou na morte de 26 civis e 18 policiais até este sábado (8), mas estimativas extraoficiais falam em centenas de mortos e forte repressão. Sites domésticos e sinais de telecomunicação estão com o sinal cortado, e a imprensa estrangeira tem dificuldades para trabalhar no país.

Na sexta-feira (7), o presidente Kassym-Jomart Tokayev anunciou em pronunciamento oficial que deu ordens para que as Forças Armadas e a polícia atirem para matar, sem advertência prévia, contra os manifestantes que desde o domingo (2) protestam nas ruas do país. Segundo o presidente, a insatisfação com os combustíveis faz parte de um complô para derrubar o seu governo.

Mapa mostra a localização do Cazaquistão

Na quinta-feira (6), pelo menos 2.500 militares estrangeiros de uma força multinacional que atua sob comando da Rússia desembarcaram para apoiar as forças do governo de Tokayev. O objetivo, segundo o governo russo, é “estabilizar” o país, que é membro da OTSC (Organização do Tratado de Segurança Coletiva) juntamente com Rússia, Belarus, Tadjiquistão, Quirguistão e Armênia.

O Cazaquistão foi uma das repúblicas que compunham a União Soviética. A independência ocorreu em 1991, após a queda do bloco soviético. Nos 30 anos seguintes, o país foi governado com mão de ferro por Nursultan Nazarbayev, hoje com 81 anos.O atual presidente, Kassym-Jomart Tokayev, é seu substituto e protegido. O ex-presidente chefiava o Conselho de Segurança Nacional, com controle total das Forças Armadas e das relações externas, até a eclosão dos protestos, quando foi destituído.

Embora tenha uma vasta extensão territorial, o Cazaquistão tem baixa densidade demográfica, com vastos trechos despovoados. A exploração de petróleo é o grande trunfo econômico do país. O produto responde por 21% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e por 70% das exportações.

Continue no tema

NEWSLETTER GRATUITA

Nexo | Hoje

Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Gráficos

nos eixos

O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Navegue por temas