Oito oligarcas russos morreram em menos de 4 meses
Da Redação
10 de maio de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h29)Maioria dos empresários trabalhava no setor de gás e petróleo. Mortes geraram especulações de que suicídios e assassinatos foram forjados, mas investigações não apontam conexões entre os casos
Temas
Compartilhe
O empresário russo Alexander Subotin
Pelo menos oito oligarcas russos foram encontrados mortos desde janeiro. Quatro deles trabalhavamna Gazprom, a gigante de energia estatal russa, ou em uma de suas subsidiárias. Os oligarcas russos são empresários que enriqueceram rapidamente durante a privatização russa na década de 1990, logo após o colapso da União Soviética. O alto número de casos com circunstâncias parecidas registrados em menos de quatro meses gerou especulações sobre assassinatos e suicídios forjados, mas nenhuma informação oficial aponta para isso até o momento.
A primeira morte aconteceu em 30 de janeiro, quando Leonid Schulman, chefe de transporte da Gazprom Invest,foi encontrado morto em sua casa de campo na vila de Lensinski, próxima a São Petersburgo. Uma nota de suicídio foi encontrada no local.
Em 25 de fevereiro, outro executivo da Gazprom, chamado Alexander Tiulakov, também foi encontrado morto na garagem de sua casa na mesma vila. Segundo o jornal independente russo Novaya Gazeta, ele teria se suicidado. Três dias depois, em 28 de janeiro, as autoridades de Surrey, na Inglaterra, encontraram o bilionário Mikhail Watford morto em sua casa. Watford nasceu na Ucrânia, mas era ligado à Rússia. As causas da morte ainda estão sendo investigadas.
O quarto caso aconteceu no final de março, quando o empresário russo Vasili Melnikov, sua esposa e os dois filhos do casal foram encontrados mortos em Nizhny Novgorod, na Rússia. Ele era dono da MedStom, empresa que atua na área da saúde. A investigação considera a hipótese de queMelnikov matou a família e se suicidou em seguida.
Em 28 de abril, os corpos de Vladislav Avaiev, ex-vice-presidente do Gazprombank (banco russo ligado à Gazprom), de sua esposa e da filha do casal foram encontrados dentro do apartamento da família em Moscou. A suspeita também é de assassinatos seguidos de suicídio.
Um dia depois, em 27 de abril, os corpos de Sergei Protosenia, ex-executivo da companhia de gás Novatek, que pertence parcialmente à Gazprom, sua esposa e sua filha foram encontrados na residência da família em Lloret de Mar, na Espanha. As autoridades locais também suspeitam que Protosenia matou a família e se suicidou em seguida.
O sétimo caso foi o de Andrei Krukovski, diretor da estação de esqui Krasnaya Polyana, próxima a Sochi. Ele morreu após cair de um penhasco, segundo o jornal russo Kommersant.
O último caso foi o do bilionário russo Alexander Subbotin, de 43 anos. Ele foi encontrado morto na casa de um xamã neste domingo (8). Segundo a TASS, agência de notícias estatal russa, a suspeita é que o ex-diretor da empresa de energia russa Lukoil tenha sido intoxicado por veneno de sapo aplicado pelo xamã na tentativa de curá-lo de uma “intoxicação alcoólica grave e drogas” ingeridas no dia anterior.
As mortes dos oligarcas em circunstâncias parecidas geraram especulações de que elas foram forjadas com a ajuda do governo russo, segundo a agência de notícias alemã Deutsche Welle. A agência, no entanto, afirma que nenhum dos oligarcas mortos era conhecido por comentários públicos críticos à invasão da Ucrânia nem integrava as listas de sanções internacionais. As investigações também não apontam conexão entre os casos.
NEWSLETTER GRATUITA
Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia
Gráficos
O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você
Navegue por temas