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Insegurança alimentar disparou entre mulheres na pandemia

Da Redação

25 de maio de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h31)

Quando o assunto é fome, desigualdade de gênero no Brasil é seis vezes maior do que a média mundial, segundo estudo da FGV Social com dados de 160 países

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FOTO: RICARDO MORAES/REUTERS

Alimentos doados por pessoas que foram se vacinar contra a covid-19 no Rio de Janeiro 26/04/2021

Alimentos doados àqueles que sofrem com insegurança alimentar por pessoas que foram se vacinar contra a covid-19 no Rio de Janeiro 26/04/2021

A quantidade de mulheres brasileiras que sofrem com a insegurança alimentar disparou na pandemia de covid-19, enquanto entre os homens o mesmo dado apresentou leve recuo. O dado é de uma pesquisa lançada pela FGV (Fundação Getulio Vargas) Social nesta quarta-feira (25) que indica que, quando o assunto é fome, a discrepância entre os gêneros no país é seis vezes maior do que a média global. O estudo se baseia em informações do Gallup World Poll , instituição que desde 2006 compila dados referentes ao desenvolvimento humano no Brasil e outros cerca de 160 países.

A insegurança alimentar engloba situações extremas, como a fome, e casos em que a pessoa não tem acesso regular a alimentos em quantidade suficiente para si e sua família. Na pesquisa da Gallup, os respondentes foram questionados se, nos últimos 12 meses, tiveram que deixar de comprar comida por falta de dinheiro. De 2019 a 2021, a insegurança alimentar entre as mulheres brasileiras subiu 14 pontos percentuais, de 33% para 47%. No mesmo período, esse dado teve queda de 1 ponto percentual entre homens, de 27% para 26%. Entre 2014 e 2019, o crescimento da insegurança alimentar acontecia no mesmo ritmo entre homens e mulheres no Brasil.

O estudo, assinado pelo pesquisador Marcelo Neri, chama o quadro de “feminização da fome”, e sugere que o fenômeno decorre do impacto maior que a pandemia teve nas mulheres no mercado de trabalho. A pesquisa afirma que o problema “magnifica” as consequências negativas da fome por acabar afetando mais as crianças, que podem sofrer com danos físicos e mentais permanentes causados por subnutrição gerada pela escassez de comida.

De forma geral, a quantidade de brasileiros que afirmaram não ter dinheiro o bastante para comprar alimentos para suas famílias aumentou de 30% em 2019 para 36% em 2021, uma alta que ficou acima da média mundial pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2006. Segundo a pesquisa, esse cenário sugere ineficácia das ações governamentais para combater a fome.

O aumento da desigualdade social durante a crise se refletiu nos dados da fome. A insegurança alimentar caiu de 10% para 7% entre os 20% mais ricos do Brasil, atingindo um patamar próximo ao da Suécia (5%), país com quadro mais positivo nesse quesito.Já entre os 20% mais pobres, ocorreu o inverso. O aumento da insegurança alimentar dos brasileiros que compõem esse grupo foi de 22 pontos percentuais, saltando de 53% em 2019 para 75% em 2021. Essa situação coloca o Brasil muito próximo do quadro enfrentado pelos piores colocados do ranking: Zimbawe (80%), Zâmbia (79%) e Serra Leoa (77%).

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