Bolsonaro vê ‘indícios de maldade’ no caso de Dom e Bruno
Da Redação
13 de junho de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h33)Presidente repete que governo agiu de forma célere após o desaparecimento da dupla. Entidades afirmam que houve demora
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Presidente Jair Bolsonaro na Cúpula das Américas, nos Estados Unidos
O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta segunda-feira (13) que“indícios levam a crer que fizeram alguma maldade” com o jornalista britânico Dom Philips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, que desapareceram em 5 de junho no Vale do Javari, no Amazonas. A declaração foi dada em entrevista à rádio CBN de Recife (PE).
Mais de uma semana após o desaparecimento , o presidente afirmou que, em função do tempo passado, será difícil encontrá-los com vida. “Já temos hoje oito dias, indo para o nono dia que isso tudo aconteceu, vai ser muito difícil encontrá-los com vida… Foram encontradas vísceras humanas, que já estão aqui em Brasília para fazer o [exame de] DNA”, disse o presidente.“Eu peço a Deus que isso aconteça, que os encontremos com vida, mas os informes, os indícios levam para o contrário no momento.”
Na mesma entrevista, Bolsonaro voltou a afirmar o que disse na Cúpula das Américas, em Los Angeles, dias antes. Segundo ele, o governos federal reagiu de imediato ao desaparecimento, enviando homens da Marinha e do Exército para dar início às buscas no local.A informação é contestada por entidades locais, que afirmam que houve demora nas buscas.
Na sexta-feira (10), a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) apresentou uma petição ao Supremo Tribunal Federal em que afirmava que o governo não estava fazendo o suficiente para localizar o jornalista e o indigenista. A entidade apontou que as aeronaves disponíveis “não foram utilizadas com eficiência e celeridade nas ações fluviais e terrestres” e que o número de embarcações e de agentes públicos que atuam nas buscas é reduzido, o que “torna o trabalho demorado, incompleto e insuficiente”.
Na manhã desta segunda-feira (13), o jornalista especializado em cobertura do Meio Ambiente André Trigueiro, da TV Globo, divulgou que a esposa do jornalista Dom Philips recebeu uma ligação da Polícia Federal em que teria sido informada da localização dos corpos da dupla desaparecida. Ainda de acordo com a esposa do jornalista, a embaixada do Brasil em Londres teria comunicado aos irmãos de Phillips que as equipes de busca haviam encontrado os corpos. Horas depois, a Polícia Federal negou informação .
A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). publicou um texto nas redes sociais em que afirma que “não é verdadeira a informação de que foram encontrados corpos nas áreas de busca”. No domingo (12), mergulhadores encontraram uma mochila e pertences pessoais de Dom e Bruno amarrada em uma árvore submersa.
Phillips e Pereira desapareceram quando se deslocavam da comunidade São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, próximo à fronteira com o Peru. O caso ganhou repercussão internacional. A Terra Indígena Vale do Javari, uma das maiores do Brasil, virou palco de invasões e conflitos em anos recentes. A área tem atuação do narcotráfico. Segundo a Univaja, Bruno Pereira vinha sofrendo ameaças por seu trabalho de proteger a floresta.
ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto afirmava que a esposa de Dom Philips havia dito que a embaixada britânica tinha comunicado irmãos do jornalista sobre a descoberta de corpos no Vale do Javari. Na verdade, quem teria feito o comunicado aos familiares é a embaixada brasileira em Londres. A informação foi corrigida às 15h35 de 13 de junho de 2022.
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