PF faz operação para apurar suspeitas de desvios na Codevasf
Da Redação
20 de julho de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h36)Corporação cumpriu um mandado de prisão e 16 de busca e apreensão em cinco cidades do Maranhão. Grupo é investigado por supostas fraudes de licitações
Agentes da Polícia Federal durante operação “Odroaco”, que combateu desvio de verbas da Codevasf
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (20) a Operação Odoacro, que visa a investigar suspeitas de um esquema de fraudes em licitações junto à empresa estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) para desviar e lavar dinheiro público. Os policiais cumpriram um mandado de prisão e 16 de busca e apreensão nas cidades de São Luís, Dom Pedro, Codó, Santo Antônio dos Lopes e Barreirinhas, atendendo a ordens da Justiça do Maranhão.
R$ 1,3 milhão
já foram apreendidos na operação, além de itens luxuosos, como relógios
A principal empresa apontada no esquema chama-se Construservice. Apurações feitas pela Polícia Federal em conjunto com a Polícia Civil e o Ministério Público do Maranhão apontam que a estratégia dos suspeitos consiste em criar empresas de fachada para fingir disputas em licitações promovidas pela Codevasf, fazendo com que a empreiteira escolhida seja a Construservice. Após vencerem essa concorrência simulada, eles desviam as verbas enviadas pelo governo federal, que deveriam ser destinadas à conclusão das obras e serviços definidos no processo licitatório.
Comandada por integrantes do centrão – grupo de partidos que hoje dá sustentação ao governo de Jair Bolsonaro –, a Codevasf é responsável por realizar obras e serviços em estados do Nordeste. Informações apuradas pelo jornal Folha de S.Paulo mostram que o governo Bolsonaro, por meio de emendas parlamentares negociadas com o centrão, turbinou as verbas destinadas à estatal. De 2018 a 2021, o valor reservado no Orçamento para pagamentos à empresa subiu de R$ 1,3 bilhão para R$ 3,4 bilhões. Os recursos provenientes de emendas saltaram de R$ 302 milhões para R$ 2,1 bilhões.
O esquema do grupo alvo da operação desta quarta (20) já havia sido descoberto em uma operação da Polícia Civil que investigava desvio de recursos da prefeitura de São Luís em 2015. Ao longo dos anos, o esquema cresceu, agora voltado para a Codevasf.
O único preso nesta quarta (20) pela Polícia Federal, Eduardo José Barros Costa, é apontado pela investigação como o chefe da organização criminosa. Conhecido como “Eduardo Imperador” ou “Eduardo DP”, o empresário não consta nos registros oficiais da Construservice, mas ao menos uma ação trabalhista o reconhece como sócio da empreiteira. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Costa representou a empresa em reunião oficial de 2020 com o presidente da Codevasf, Marcelo Moreira. A defesa do empresário não havia se manifestado sobre o caso até a publicação deste texto.
Continue no tema
NEWSLETTER GRATUITA
Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia
Gráficos
O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você
Navegue por temas