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Sempre experimentei um desconforto com esse nome que meus pais me deram: Reinaldo. Na infância, nos anos 50, eu simplesmente não encontrava ninguém com esse nome nas classes ou nas ruas, ou ainda entre a parentela. Eu era o único Reinaldo do mundo. E ainda por cima, sou filho único. Só podia ser por isso que eu tinha esse nome que me soava pernóstico, balofo, esquisito e sumamente raro.
Por que raios do céu eu não me chamava Fernando ou Marcelo? E, se era pra começar com R, por que não Renato, Ricardo, Rafael, nomes que me pareciam tão mais atraentes e anunciadores de uma vida de grandes realizações? Nomes tradicionais que nunca eram confundidos com outros nomes. Comigo, isso acontecia direto, e ainda acontece. Sempre viro Reginaldo ou Ronaldo pra muita gente que ouve meu nome pela primeira vez.
“Seu nome, por favor?”
“Reinaldo.”
“Ok, Ronaldo, sua consulta está marcada para quarta-feira.”
Reinaldo Moraesestreou na literatura em 1981 com o romance Tanto Faz (ed. Brasiliense) Em 1985 publicou o romance Abacaxi (ed. L&PM). Depois de 17 anos sem publicar nada, voltou em 2003 com o romance de aventuras Órbita dos caracóis (Companhia das Letras). Seguiram-se: Estrangeiros em casa (narrativa de viagem pela cidade de São Paulo, National Geographic Abril, 2004, com fotos de Roberto Linsker); Umidade (contos , Companhia das Letras, 2005), Barata! (novela infantil , Companhia das Letras, 2007) , Pornopopéia (romance , Objetiva, 2009) e O Cheirinho do amor (crônicas, Alfaguara, 2014). É também tradutor e roteirista de cinema e TV.
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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