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Galera, tenho duas notícias, uma ruim e a outra… Eita, acho que a outra é ruim também. Mas tem um lado bom, juro, siga comigo.
Comecemos com a notícia ruim: o Brasil está a caminho de quebrar – nosso querido Michel Temer está certo nesse ponto. Sério, amigos de esquerda – e de humanas –, nem comecem com aquele papo de “a quebra da Previdência é um mito”, isso é papo-furado. As pessoas que dizem isso meio que argumentam que a Previdência não pode estar quebrada porque a Constituição garante orçamento para ela. É meio o mesmo que dizer que minha conta não está no negativo porque eu imprimi o extrato do banco e apaguei o sinal de “menos” com liquid paper. O fato de escrever que algo não está quebrado não impede que ele quebre.
E a verdade inescapável é que a conta da Previdência não vai mais fechar e isso vai afundar o país. Podemos até discordar sobre quando isso vai acontecer, mas é um fato matemático incontornável que esse dia vai chegar.
Isso acontece porque a população brasileira está envelhecendo muito rápido. Nossa pirâmide etária era um triângulo perfeito há uns anos – base bem larga, topo pontudo – e está cada vez mais parecida com um vaso, de base e boca estreitas, com uma barriga gordinha no meio. Resumindo: éramos um país de garotos, seremos, em só duas décadas, um país de velhos.
Isso é um problema porque Previdência, ao contrário do que muita gente pensa, não é um investimento que o governo faz com o nosso dinheiro: é um sistema de transferência direta de dinheiro. Quem trabalha paga, quem é aposentado ou pensionista recebe. Quando a população é jovem, isso é uma beleza – tem quase dez pessoas para sustentar cada velhinho. Quando envelhece, a coisa não para mais de pé. Ainda mais se vários grupos privilegiados ganham umas aposentadorias gordonas, como é o caso do sistema brasileiro.
Denis R. Burgiermané jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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