Expresso

Conheça a candidata do MDB à Presidência da República

Ana Elisa Faria

17 de agosto de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h43)

O ‘Nexo’ continua as publicações das biografias dos postulantes ao Palácio do Planalto com o capítulo que conta a trajetória de Simone Tebet, senadora que está na disputa presidencial pela primeira vez

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FOTO: DIVULGAÇÃO/FLICKR SIMONE TEBET

Simone Tebet é candidata do MDB à presidência

Simone Tebet é candidata do MDB à presidência

Simone Nassar Tebet é a candidata do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) à Presidência da República nas eleições de 2022. Nasceu em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, em 22 de fevereiro de 1970. Tem, portanto, 52 anos.

É filha primogênita do casal Fairte Nassar e Ramez Tebet, que foi governador do Mato Grosso do Sul, ministro da Integração Nacional no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e senador, ocupando a presidência da casa entre 2001 e 2003. Morreu em 2006, vítima de um câncer no fígado. Simone é casada com o deputado estadual licenciado Eduardo Rocha (MDB), com quem tem duas filhas, Maria Eduarda e Maria Fernanda.

R$ 2.323.735,38

é o patrimônio declarado por Simone Tebet ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2022

O que fez até disputar a primeira eleição

Simone Tebet passou a infância e boa parte da juventude no pequeno município sul-mato-grossense de Três Lagoas.

Mudou-se para o Rio de Janeiro ainda jovem para estudar direito na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Ela também tem mestrado em direito do Estado pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Depois de se formar na faculdade, tornou-se professora universitária de direito público e administrativo, atividade que exerceu durante 12 anos em diferentes instituições.

Durante esse período, Tebet também atuou como consultora jurídica e foi diretora da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul. Filiou-se ao MDB em 1997.

Os cargos políticos que ocupou até aqui

Ela iniciou a carreira política nas eleições de 2002, pelo MDB, quando foi eleita deputada estadual pelo Mato Grosso do Sul. Abandonou o cargo na metade do mandato, em 2004, para disputar – e vencer – a eleição para a Prefeitura de Três Lagoas, sua cidade natal.

Como prefeita, Tebet respondeu a uma ação civil do Ministério Público do Mato Grosso do Sul por irregularidades administrativas. O caso teria ocorrido durante seu primeiro mandato à frente do município. Segundo a investigação, ela teria usado recursos federais para beneficiar a empresa Anfer Construção e Comércio em uma licitação para a revitalização do balneário da cidade. Posteriormente, essa mesma empresa apareceu entre as doadoras para sua campanha à reeleição na prefeitura, em 2008.

Tebet negou as acusações e disse que o Tribunal de Contas local não havia encontrado problemas nos contratos firmados e que as doações recebidas da empresa foram declaradas à Justiça eleitoral. O caso foi arquivado em 2017.

Reeleita prefeita em 2008, Tebet renunciou no início de 2010 para ser candidata à vice-governadora do Mato Grosso do Sul na chapa de André Puccinelli (MDB). A dupla acabou eleita ao derrotar Zeca do PT no segundo turno. Nas eleições de 2014, Tebet decidiu lançar candidatura como senadora, quando elegeu-se com 640.336 votos.

No Senado, Tebet votou a favor do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) . Seu partido, o MDB, havia rompido com o petismo e participado ativamente da articulação política que alçou o vice-presidente Michel Temer ao poder em meados de 2016. A senadora também votou com o governo Temer em pautas como a reforma trabalhista e a proposta de emenda à Constituição do teto de gastos , que limita os gastos públicos na saúde e educação até 2036.

Qual sua trajetória partidária

  • MDB: Movimento Democrático Brasileiro (1997-até hoje)

Simone Tebet está no MDB desde os 27 anos, quando se filiou à sigla, época em que a legenda ainda utilizava o nome com o “p”, de partido, à frente.

Como se posicionava nas eleições de 2018

O MDB, partido de Tebet, lançou um candidato próprio nas eleições de 2018 , Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda. Ela já afirmou que votou no postulante da legenda no primeiro turno, mas nega-se a revelar quem escolheu no segundo turno: Fernando Haddad (PT) ou Jair Bolsonaro (PSL, na época). A sigla decidiu se manter neutra naquele momento, liberando os integrantes do partido para votarem “de acordo com a consciência”.

“Nós temos condições de nos apresentar ao Brasil como a única alternativa capaz de pacificar o Brasil. É isso que o Brasil precisa, de paz para poder sorrir, mas também de unificar o país em nome de uma única pauta, a defesa da democracia, das instituições democráticas e do povo brasileiro

Simone Tebet

candidata do MDB à Presidência, em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, no podcast O Assunto

O que fez desde 2018

FOTO: DIVULGAÇÃO/FLICKR SIMONE TEBET

Simone Tebet na Tribuna do Plenário em julho de 2022

Simone Tebet na Tribuna do Plenário em julho de 2022

No começo de 2019, Tebet assumiu a presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), considerado um dos colegiados mais importantes da casa. Ela votou contra o decreto sobre as armas do governo de Jair Bolsonaro, lei que flexibiliza porte e posse para o cidadão. Apesar de dizer que procura uma relação harmoniosa com o Planalto, Tebet critica Bolsonaro com frequência .

Depois, durante a pandemia do novo coronavírus, em abril de 2020, a senadora afirmou que a paciência com Bolsonaro estava chegando ao fim , após o presidente participar de manifestações que pediam o fechamento do Congresso.

Tebet, aliás, ganhou certa popularidade durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid , quando teve falas incisivas contra o governo e sua defesa incessante da cloroquina, remédio sem comprovação de eficácia no tratamento à doença.

Em uma sessão, ela chegou a questionar se o nome da comissão não deveria ser CPI da Cloroquina. “Não se fala em outra coisa, a não ser nela. E confesso que isso me deixa muito preocupada. Estamos em rede nacional vendo muitas vezes, aqui, autoridades que não são profissionais da saúde fazerem verdadeira apologia a um remédio que efetivamente não tem eficácia comprovada”.

Os pontos fracos

RACHAS NO PARTIDO

Desde meados de 2021, o nome de Tebet vem sendo aventado para a disputa presidencial de 2022 pelo MDB. Sua candidatura é apoiada por duas legendas, PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e Cidadania, no entanto, enfrenta disputas internas. O fraco desempenho de Tebet nas pesquisas eleitorais tem sido um impasse para definir os rumos da campanha. A senadora não decolou nos levantamentos, oscilando na faixa de 1% a 4% das intenções de voto. Assim, líderes do MDB de 11 estados já declararam apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) logo no primeiro turno.

Os pontos fortes

NOME LIGADO À “TERCEIRA VIA”

Tebet é um dos poucos nomes da chamada “terceira via” que ainda resiste na disputa ao Palácio do Planalto. Ela é acompanhada pelo candidato do PDT (Partido Democrático Trabalhista), Ciro Gomes, que tem se saído melhor nas pesquisas, mas também não chega aos dois digitos – no Datafolha do dia 28 de julho, o pedetista continuou em terceiro lugar, atrás de Bolsonaro e Lula, com 8% das intenções de voto. Mesmo assim, o antipetismo e a aversão ao bolsonarismo podem dar a Tebet alguns votos de eleitores que não topam nenhum dos dois primeiros candidatos.

Quem é sua vice

Mara Gabrilli foi a escolhida para o cargo de vice da candidata Simone Tebet na tentativa de chegar à Presidência da República, em mais uma chapa 100% de mulheres – assim como a do PSTU, formada por Vera Lúcia e Kunã Yporã, conhecida como Raquel Tremembé. Filiada ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) desde 2004, Gabrilli é, atualmente, senadora.

Nascida em São Paulo, tem formação em publicidade e psicologia. É, ainda, fundadora do Instituto Mara Gabrilli, organização voltada à melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência. Em 1994, ela sofreu um acidente de automóvel que a deixou tetraplégica. Foi eleita, em 2018, representante do Brasil no Comitê sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas). Já foi secretária municipal da capital paulista, vereadora da cidade de São Paulo e deputada federal por dois mandatos.

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