Externo

O que pode melhorar a comunicação entre médicos e pacientes

Dean Schillinger e Nicholas Duran

14 de janeiro de 2022(atualizado 04/08/2024 às 20h28)

Pesquisadores americanos defendem adaptação no linguajar de profissionais da medicina como ferramenta para melhorar a saúde

O Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.

ARTIGO ORIGINAL

Confused by what your doctor tells you? A new study discovers how communication gaps between doctors and patients can be cured

The Conversation

Janeiro de 2022

Autoria: Dean Schillinger e Nicholas Duran

Tradução:Bernardo Machado

Temas

Compartilhe

FOTO: Regis Duvignau/ReutersMédico

Documento da OMS serve de referência para monitoramento de doenças no mundo

A maioria dos médicos usa uma linguagem muito complexa no trato com seus pacientes, mas alguns têm a habilidade de adaptar suas palavras para atender às necessidades de comunicação de seus pacientes e superar as confusões que são tão comuns no cuidado com a saúde. Essas são as principais descobertas de nosso novo estudo recentemente publicado em Science Advances.

Essa estratégia de adaptação do linguajar – que nomeamos como “comunicação de precisão” – parece ser especialmente proveitosa para 1 em cada 3 americanos que têm baixa alfabetização em saúde. Estudos anteriores mostraram que indivíduos com baixa alfabetização em saúde têm uma pior compreensão das informações e instruções médicas e piores resultados de saúde em comparação com aqueles que possuem repertórios adequados sobre o assunto.

Para conduzir nossa pesquisa, analisamos centenas de milhares de mensagens de e-mail entre médicos e pacientes com diabetes. Utilizando técnicas sofisticadas de linguística computacional, nossa equipe descobriu que apenas 40% das pessoas com baixa alfabetização em saúde têm um médico que adapta a complexidade de sua linguagem para aquela utilizada por seus pacientes. Também descobrimos que poucos pacientes são atendidos por médicos sintonizados com o tipo de linguagem que usam – seja ela de baixa ou alta fluência em saúde – e que adaptam a comunicação de acordo com a necessidade.

Descobrimos que pacientes sob os cuidados de médicos que praticam a comunicação de precisão estavam mais aptos em entender e agir de acordo com os pareceres e instruções de seus médicos. Pacientes cujos médicos não adaptam sua linguagem são mais propensos a ficarem confusos e podem ficar mais doentes. O benefício dessa abordagem foi tão forte a ponto de eliminar as habituais diferenças no entendimento entre pacientes de baixa e alta alfabetização em saúde.

Por que isso importa

Talvez nenhuma experiência de assistência médica seja tão universal quanto estar doente e não compreender o médico. Essa não só é uma experiência frustrantemente comum – e muitas vezes perigosa – como é um enorme e oneroso problema de saúde pública . Apesar do grande impacto, poucos estudos clínicos examinaram a questão e nenhum utilizou métodos de inteligência artificial ou foi suficientemente robusto para obter conclusões sólidas.

Médicos e pacientes estão dependendo mais de comunicação digital , algo que se expandiu durante a pandemia de covid-19. Nossas descobertas sugerem que a maioria dos médicos pode e deve ajustar a forma como eles escutam e respondem aos pacientes para conseguir uma comunicação mais eficaz.

Os pacientes que ficarem confusos devem pedir a seu médico para reformular suas explicações e orientações de maneiras mais acessíveis. E nosso estudo sugere que os sistemas de saúde devem considerar cuidadosamente as formas pelas quais eles podem orientar melhor médicos e pacientes para alcançar um entendimento comum. Isso inclui como eles treinam os profissionais e como alocam e pagam por tempo, pessoal e tecnologias que podem promover a comunicação.

O que ainda não se sabe

Embora pesquisas anteriores tenham mostrado que a compreensão da condição de saúde e seu tratamento seja fundamental para se tornar mais saudável, não sabemos quão benéfica é essa forma de comunicação de precisão para se obter melhores resultados de saúde. Também não podemos ainda determinar se a comunicação escrita dos médicos reflete como eles se comunicam verbalmente – pessoalmente –, embora os resultados da pesquisa com os pacientes neste estudo sugiram sobreposições entre a comunicação escrita e falada de doutores.

O que vem depois?

Estamos elaborando estudos para verificar se a adaptação da linguagem melhora os resultados na saúde, como o açúcar no sangue ou o controle da pressão sanguínea. Também desenvolvemos e estamos testando se um sistema automático de feedback, embutido no registro eletrônico de saúde, pode garantir uma comunicação precisa nas trocas de e-mail. O sistema analisa rapidamente as mensagens de e-mail e alerta o médico se sua resposta está muito complexa.

Dean Schillinger é professor de medicina da University of California, San Francisco.

Nicholas Duran é professor associado em ciências sociais e comportamentais da Arizona State University.

A seção “Externo” traz uma seleção de textos cedidos por outros veículos por meio de parcerias com o Nexo ou licenças Creative Commons.

NEWSLETTER GRATUITA

Nexo | Hoje

Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Gráficos

nos eixos

O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Navegue por temas