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(colunista até agosto de 2016)

A Depressão Econômica e Santa Teresa de Ávila

06 de dezembro de 2015

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Ao invés do ajuste e das reformas, quando seu custo seria bem menor, adotamos medidas oportunistas, ao encontro das demandas de diversas lideranças empresariais

A economia brasileira caminha para uma depressão econômica. Há certamente o rescaldo de uma crise internacional, mas os nossos problemas são muito mais graves. Os demais países cresciam cerca de 4% ao ano antes da crise, e nos últimos anos cresceram pouco mais de 3%. No caso do Brasil, porém, o crescimento de cerca de 4% transformou-se em uma queda da renda de 4% nos últimos 12 meses. Uma crise apenas comparável a de países em guerra, como a Rússia e a Ucrânia. O pior desempenho da economia brasileira é responsabilidade da política econômica dos últimos seis anos.

Há quatro anos, o Brasil enfrentava a necessidade de um ajuste de curto prazo, em decorrência da inflação elevada, além dos problemas estruturais, que resultam na trajetória de crescimento dos gastos públicos acima da renda nacional.

O ajuste de curto prazo busca corrigir desequilíbrios, como inflação elevada, e reduz temporariamente a expansão da atividade econômica tendo por objetivo preservar o potencial de crescimento. Menos empregos hoje em troca de maior geração sustentável de empregos no futuro.

Essa agenda deve garantir a estabilização da dívida pública como fração do PIB nos próximos anos, melhorar o ambiente de negócios, estimulando o aumento da produtividade, e reformar as políticas públicas, com base na avaliação dos resultados e dos grupos beneficiados.

Deve-se, em particular, preservar as políticas efetivas em proteger os grupos sociais mais vulneráveis, e as políticas horizontais em saúde e educação que beneficiem a grande maioria.

(colunista até agosto de 2016)é presidente do Insper, Ph.D. em economia pela Universidade da Pensilvânia. Atuou como professor assistente no Departamento de Economia da Universidade de Stanford e da EPGE/FGV. Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e presidente do Instituto de Resseguros do Brasil. Diretor executivo do Itaú-Unibanco, entre 2006 e 2009, e vice-presidente até 2013.

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