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(colunista até agosto de 2016)

A agenda republicana ou saudades de 2015?

20 de dezembro de 2015

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Sustentabilidade das contas públicas, retomada do crescimento da produtividade e revisão das políticas de intervenção setorial devem ser o foco

O Brasil enfrenta uma grave crise, cujas causas são nossas apenas. Isso significa que temos os instrumentos e a capacidade de retomar a agenda de crescimento com inclusão social da década de 2000.

Essa agenda, que, como será argumentado neste e nos próximos artigos, pode ser denominada de republicana, passa pela sustentabilidade das contas públicas, pela retomada do crescimento da produtividade, e pela revisão das políticas de intervenção setorial.

A causa imediata da grave crise é o desequilíbrio fiscal e a tendência de aumento da dívida pública que significa risco para a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos. As razões desse desequilíbrio não se resumem apenas às escolhas de política econômica dos últimos anos, ainda que essas escolhas o tenham agravado.

O gasto público no Brasil apresenta uma tendência de crescimento maior do que o da renda nacional, decorrente de diversas regras legais e da transição demográfica. A população idosa cresce 4% ao ano, enquanto a população em idade ativa cresce apenas 1% ao ano, implicando a necessidade de aumento contínuo da carga tributária para preservar os benefícios previdenciários previstos.

Reverter a trajetória de crescimento do gasto passa pela reforma da Previdência. As regras atuais permitem aposentadorias por tempo de contribuição precoces aos 53 anos para mulheres e 55 anos para homens, além do acúmulo de diversos benefícios e regras para pensão por morte bem mais generosas do que as observadas nos países desenvolvidos. A reforma da previdência deveria garantir a convergência das regras existentes às observadas nos países desenvolvidos e a eliminação dos regimes especiais.

(colunista até agosto de 2016)é presidente do Insper, Ph.D. em economia pela Universidade da Pensilvânia. Atuou como professor assistente no Departamento de Economia da Universidade de Stanford e da EPGE/FGV. Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e presidente do Instituto de Resseguros do Brasil. Diretor executivo do Itaú-Unibanco, entre 2006 e 2009, e vice-presidente até 2013.

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