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(colunista até agosto de 2016)

Crédito e produtividade

18 de janeiro de 2016

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Na década de 2000, foram adotadas reformas que reduziram o risco de inadimplência e melhoraram a qualidade das garantias, em contraste com os anos recentes

Políticas públicas que resultem na expansão do crédito podem auxiliar o crescimento sustentável de uma economia de mercado. Em alguns casos, porém, essas políticas apenas beneficiam grupos selecionados no curto prazo, prejudicando posteriormente a produtividade e o crescimento econômico. Este artigo discute os casos em que reformas permitem a expansão produtiva do crédito.

A oferta de crédito decorre dos recursos disponíveis para as famílias e as empresas, e depende do custo de captação dos recursos, das possibilidades de investimento dos recursos, de eventuais obrigações regulatórias e tributárias, e do risco de não pagamento das dívidas.

A demanda por crédito, porém, difere da verificada na maioria dos bens e serviços. O empréstimo é a primeira etapa de uma operação que apenas se conclui com o pagamento da dívida. Esse pagamento, no entanto, pode não ser realizado, o que ocorre, com maior ou menor frequência, nas diversas operações de crédito.

A inadimplência não pode ser calculada com segurança no momento do empréstimo, ao contrário dos demais custos. Por essa razão, as instituições de crédito procuram estimar as características observáveis dos tomadores de recursos que melhor permitem antecipar a probabilidade de pagamento posterior, como patrimônio e histórico em outras operações de crédito, e as expectativas sobre o seu fluxo de caixa. Existem, entretanto, diversos fatores que não podem ser observados, como a disposição dos devedores em cumprir suas obrigações, ou uma possível alteração da capacidade de pagamento por parte do devedor.

O risco de inadimplência pode ser reduzido na medida em que possam ser concedidas garantias que saldem as obrigações em caso de não pagamento da dívida. Quanto menor a perda esperada de uma operação de crédito, em um mercado competitivo, menor a taxa de juros e maior a oferta de crédito.

(colunista até agosto de 2016)é presidente do Insper, Ph.D. em economia pela Universidade da Pensilvânia. Atuou como professor assistente no Departamento de Economia da Universidade de Stanford e da EPGE/FGV. Foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e presidente do Instituto de Resseguros do Brasil. Diretor executivo do Itaú-Unibanco, entre 2006 e 2009, e vice-presidente até 2013.

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