Coluna

Humberto Laudares

Que renovação política?

17 de maio de 2017

Temas

Compartilhe

A geração de políticos que estão rompendo com o status quo, espalhada por diversos países, parece que não tem uma agenda propriamente convergente, mas diria que tem quatro grandes semelhanças

A política do mundo todo sofre de mal-estar, inclusive a brasileira. Os intermitentes escândalos de corrupção potencializam a rejeição à política. Mas esse fenômeno está longe de ser uma jabuticaba. A renovação na política é uma bandeira globalizada, que deverá ser hasteada aqui também.

Do Brexit no Reino Unido, passando pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e Emmanuel Macron na França, ou pela vitória dos prefeitos populistas como em Roma Virginia Raggi do Movimento Cinco Estrelasou em Belo Horizonte – Alexandre Kalil, cujo slogan da campanha era “chega de político”, as urnas estão mostrando que a forma velha de se fazer política ficou pra trás.

Menos claro é o que significa esse dito novo. Mais incerto ainda é como implementá-lo – e se os seus porta-vozes serão capazes de tal. A geração de políticos que estão rompendo com o status quo, espalhada por diversos países, parece que não tem uma agenda propriamente convergente, mas diria que tem quatro grandes semelhanças.

A primeira delas é a crença, ou o discurso, de que a dualidade esquerda-direita dissolveu-se no ar. O partido espanhol Ciudadanos se diz liberal-progressista, um omelete composto de componentes da social democracia e do social liberalismo. O Movimento Cinco Estrelas, hoje o segundo maior partido da Itália, é a favor de casamento homoafetivo, mas contra imigração. Dizem que atuam de acordo com o que é “lógico e melhor para os cidadãos”. Macron, na França, também defende a combinação dos pontos positivos da esquerda e da direita. O presidente francês se proclama progressista, defensor de uma social democracia pró-mercado.

No geral, os movimentos “fora da política” ocuparam os espaços de governos de centro-esquerda e centro-direita. Não por acaso, foram os partidos defensores da social democracia que mais perderam espaço em nível mundial.

Humberto Laudaresé especialista em políticas públicas e desenvolvimento. É Ph.D em Economia pelo Graduate Institute, em Genebra (Suíça), e mestre pela Universidade Columbia (Estados Unidos). Fez Ciências Sociais na USP e Administração na FGV de São Paulo. Trabalhou com políticas públicas em governos, no parlamento e em organismos internacionais. Para acompanhar sua página no Facebook: www.facebook.com/laudares

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

Navegue por temas