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“Acorda amor. Eu tive um pesadelo agora. Sonhei que tinha gente lá fora. Fazendo confusão. Que aflição. Era a dura, numa muito escura viatura. Minha nossa santa criatura. Chama, chame, chame lá. Chame, chame o ladrão, chame o ladrão”.
Estávamos em 1974, nos anos duros da ditadura militar, quando Chico Buarque escreveu estas que são as primeiras estrofes da canção “Acorda amor”. Aliás, nesse contexto, qualquer pessoa que participasse de alguma atividade democrática, teria ganas de “chamar o ladrão”.
Pois bem, foi essa sensação que minha amiga e colega, a historiadora e ex-vice-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais Heloisa Starling, descreveu quando às exatas 6 horas da manhã do dia 6 de dezembro foi acordada pelo porteiro que lhe explicava, um tanto aflito, que três homens armados estavam ali para “conduzi-la”.
Como na música do Chico, Heloisa também ficou “parada de pijama”, pensando, da mesma maneira que na letra da canção, que não gostava “de passar vexame” e que melhor seria “chamar o ladrão”.
Lilia Schwarczé professora da USP e global scholar em Princeton. É autora, entre outros, de “O espetáculo das raças”, “As barbas do imperador”, “Brasil: uma biografia”, "Lima Barreto, triste visionário”, “Dicionário da escravidão e liberdade”, com Flavio Gomes, e “Sobre o autoritarismo brasileiro”. Foi curadora de uma série de exposições dentre as quais: “Um olhar sobre o Brasil”, “Histórias Mestiças”, “Histórias da sexualidade” e “Histórias afro-atlânticas". Atualmente é curadora adjunta do Masp para histórias.
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