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Hoje, a história transcorre como novela do SBT, com vilões caricatos, atuações constrangedoras e roteiros previsíveis. Mas, nos anos 1980, assistia-se às mudanças de rumo do mundo como superprodução hollywoodiana. Tipo o dia 9 de novembro de 1989, quando o Muro de Berlim caiu, picotado por uma multidão de cidadãos portando picaretas (meio que o contrário do que temos aqui, ocorre-me agora).
Aprendi nesta matéria (em inglês) que, naquele dia histórico, enquanto as primeiras frestas apareciam naquele triste muro de concreto, não muito longe dali, em Dresden, num complexo diplomático soviético, um circunspecto agente da KGB metodicamente jogava na lareira documentos comprometedores da era comunista. O nome desse agente era Vladimir Putin.
Chama atenção que, 28 anos depois desta página virada dos livros de história, que registraram naquela data a derrota soviética na Guerra Fria, este mesmo Putin seja não só o líder inconteste e aparentemente eterno da Rússia, dono de praticamente todo o território do imenso império soviético, retomado às vezes por bem, às vezes por mal. Que ele seja não só um jogador relevante em todos os conflitos do mundo, vendendo armas, apostando em lados, moldando as fronteiras do planeta, apesar da pequenez relativa da economia russa.
Mas que Putin seja também, inegavelmente, na prática, pelo menos em alguma medida, o homem responsável pela humilhação suprema de emplacar um idiota na presidência da maior superpotência do mundo, ao propositalmente criar confusão na informação do país, de maneira a favorecer um candidato, que acabou ganhando por um fio de cabelo. E aí, gringos? Quem ganhou a Guerra Fria mesmo?
Vai ver a história transcorre de maneira menos triunfante e espalhafatosa do que gostaria o cinemão americano. Vai ver ela é absurda, injusta, cheia de reviravoltas e, acima de tudo, interminável, como um romance russo.
Denis R. Burgiermané jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.
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