Coluna
Áurea Carolina
Para não ser covarde: a luta antirracista e pela democracia
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“Cães danados do fascismo
Babam e arreganham os dentes
Sai do ovo a serpente
Fruto podre do cinismo
Para oprimir as gentes
Nos manter no escravismo
Pra nos empurrar no abismo
E nos triturar com os dentes
Ê, república de parentes, pode crer
Na nova Babilônia eu e você
Somos só carne humana pra moer
E o amor não é pra nós
Mas nós temos a pedrada pra jogar
A bola incendiária está no ar
Fogo nos fascistas
Fogo, Jah”
Na terça-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no momento da inauguração de uma exposição em homenagem à resistência negra dentro da Câmara dos Deputados, o deputado Coronel Tadeu (PSL/SP) arrancou à força e quebrou um dos painéis que estavam ali expostos. Ilustrado com uma charge que retrata uma cena de violência policial contra um jovem negro, de autoria do cartunista Carlos Latuff, o painel trazia informações sobre o genocídio da população negra no Brasil. Por não aceitar a crítica expressa na imagem, o deputado se sentiu no direito de censurar a obra e depredar uma exposição oficial.
A sucessão dos fatos, com uma forte reação de parlamentares negros e progressistas e ampla repercussão midiática, garantiu, um dia depois, a restituição do painel original à exposição. O remendo ficou à mostra para que o episódio de truculência racista e fascista não seja esquecido. O agressor foi denunciado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e na Procuradoria-Geral da República. Que a sua devida responsabilização seja decidida de maneira exemplar pelas instituições.
Longe de ser pontual, esse acontecimento evidencia a intensificação da violência que tem se alastrado pela sociedade brasileira. Escorre ódio em incontáveis situações. Agressões racistas, misóginas e LGBTIfóbicas se somam à perseguição política contra movimentos sociais, artistas, professores, estudantes e quem mais ousar questionar a tirania. Convivemos com um noticiário de estupros, feminicídios, execuções sumárias, homicídios de crianças em operações policiais. Assassinatos de indígenas, lideranças populares e defensores de direitos humanos já se tornaram rotina.
Áurea Carolina
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