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Este não é o caso de dizer “veja o filme, leia o livro”. O melhor é passar batido por “Nada de novo no front”, de Edward Berger, disponível na Netflix, e ir direto ao romance de Erich Maria Remarque, publicado com enorme sucesso em 1929.
De resto, são bem diferentes. O filme de Berger, indicado a nove Oscar, não difere muito de outras superproduções sobre a Primeira Guerra, como “1917”, de Sam Mendes, ou “Cavalo de guerra”, de Spielberg. As cenas panorâmicas são espetaculares, o sentimentalismo não se acanha nem um pouco, a ideia geral é mostrar a sorte de pessoas comuns em meio à lama e ao morticínio, com a música tão previsível quanto o resto.
Demorei bastante para me dispor a ler o livro de Remarque. Tinha medo de que fosse um dramalhão, e nisso eu estava influenciado, primeiro, pelo fato de ter sido um best-seller, e, depois, porque já havia sido adaptado para o cinema num filme antiquíssimo de Lewis Milestone, que pelo que sei não desfruta de boa fama.
Mas “Nada de novo no front”, o livro, foi uma surpresa e tanto. Sem ser obra de vanguarda, é um romance bastante moderno, que retrata a guerra sem apertar as mãos contra o peito e piscar em prece para a indiferença divina.
É narrado na primeira pessoa, tendo como protagonista um rapaz bastante inocente e bem-humorado (no começo). A arte do ficcionista, aqui, está em imaginar o frescor psicológico do personagem, quando todos, em 1929, já sabiam no que iria dar aquilo tudo.
Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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