Coluna

Marcelo Coelho

Onde é que foram parar as paletas mexicanas? E os food trucks?

20 de dezembro de 2023

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O que me incomoda é nossa distração. Até a nostalgia é seletiva. Se pegássemos uma máquina do tempo, e voltássemos atrás só um punhadinho de anos, teríamos surpresas sem fim

Muitas coisas desaparecem sem que a gente perceba – e nossa relação com o passar do tempo, com suas continuidades e interrupções, ficou bem perturbada pelo intervalo da pandemia.

Nesta época de calorão, estranhei uma ausência na cidade de São Paulo. Onde foram parar as paletas mexicanas? Foram uma febre, se é que posso dizer assim, há poucos anos.

Era estranho: estavam em todo lugar, e cada vez apareciam com uma marca diferente.

Se fosse uma vasta operação comercial do “imperialismo mexicano” (hoje em dia tudo é imperialista, até a Ucrânia ou a Guiana), se fosse uma operação comercial única, continuo, essa onda de paletas viria de uma marca só.

Os sorvetes Melona, por exemplo, são bastante comuns, e, que eu saiba, não há tantas outras marcas trazidas da Coreia do Sul. Mas as paletas mexicanas se multiplicavam, sem que eu me lembre, agora, do nome de qualquer uma delas.

Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

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