Favoritos

Maria das Graças de Souza


01 de abril de 2017

Temas

Compartilhe

Foto: Arquivo pessoal

Professora de filosofia da USP, Maria das Graças de Souza indica cinco livros de literatura africana contemporânea

O Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.

Murambi, le livre des ossements (2011)

Boubacar Boris Diop

Resultado de uma residência de escritores convidados em 1998 pelo governo de Ruanda para escrever in loco sobre o massacre dos tutsis, o livro do senegalês Boris Diop, ao mesmo tempo ficção e relato de memórias, nos escancara o rosto das vítimas do que foi o último genocídio do século 20.

Allah n’est pas obligé (2000)

Ahmadou Kouroma

Birahima, sem família, é um menino malinké recrutado como criança-soldado pelos grupos armados em disputa na região da Libéria e da Serra Leoa, com tudo o que isso significa. Mesmo diante da realidade cruel que se lhe impõe, o menino, irreverente e travesso, dá mostras de desprendimento e de distância em relação ao que vê, como se as atrocidades que comete e presencia não pudessem agir realmente sobre ele. Nem mesmo Allah é obrigado a ser justo em tudo neste mundo.

As mulheres do meu pai (2012)

José Eduardo Agualusa

Laurentina, cinegrafista portuguesa filha de pais africanos, volta à África para fazer um documentário sobre a vida de seu suposto pai, Faustino Manso, músico, que ao morrer deixou sete viúvas e 18 filhos. No relato de suas conversas com os amigos e com as mulheres de seu pai, surge uma África com suas experiências dramáticas, mas também um continente no qual são determinantes a música e a força das mulheres.

Quantas madrugadas tem a noite (2010)

Ondjaki

Situado na Luanda contemporânea, o romance de Ondjaki cruza várias histórias, numa escrita rente à oralidade, permeada de termos das línguas locais, como se o autor, propositadamente, quisesse induzir no leitor o sentimento de estranhamento e de deslocamento que torna possível reconhecer a alteridade.

O filho de mil homens (2013)

Valter Hugo Mãe

É Crisóstomo, um dos personagens centrais do romance, que diz ao órfão Camilo: “somos todos filhos de mil pais e de mil mães”. Com maestria e muita delicadeza, o romance de Mae esmiúça o universo de nossas relações, a importância do sentimento de que somos cuidados e protegidos e as experiências de afeto que se dão para além dos limites da família tradicional patriarcal.

Maria das Graças de Souza é professora titular sênior de Filosofia na Universidade de São Paulo. Trabalha, principalmente, com História da Filosofia e Política e nos temas: filosofia moderna, iluminismo, renascença, história, política.


ESTAVA ERRADO: O nome no escritor Valter Hugo Mãe estava grafado de forma incorreta na primeira versão deste texto. A informação foi corrigida às 20h22 e 2 de abril de 2017.

*Caso você compre algum livro usando links dentro de conteúdos do Nexo, é provável que recebamos uma comissão. Isso ajuda a financiar nosso jornalismo. Por favor, considere também assinar o Nexo.