Um site para navegar sem a influência de algoritmos
Cesar Gaglioni
25 de março de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h26)Iniciativa de jornalista dinamarquês quer recuperar o sentimento de descoberta e curiosidade dos primórdios da internet
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Mapa do site Wilderness Land
Houve um tempo, antes das redes sociais, em que a única forma de se conhecer coisas legais na internet era por meio de links – que eram publicados em fóruns, sites ou enviados por e-mail. Depois das redes sociais e das plataformas de busca – e de seus algoritmos de recomendação –, boa parte desse espírito “desbravador” acabou se perdendo, já que a maior parte do consumo de internet vem dos feeds e das plataformas de busca.
O site Wilderness Land , do jornalista dinamarquês Kristoffer Tjalve, quer recuperar o sentimento de uma navegação livre na internet. A página é um mapa desenhado em 2D. Neles, estão escondidos 500 links que levam a outros sites. Todos eles são páginas apenas para passar o tempo.
Alguns desses sites são interessantes, como um que leva para um museu digital que reúne 1.000 garrafas de água do mundo todo. Outros, são apenas divertidos e sem pretensão, como um gerador de nomes similares aos dos filhos do bilionário Elon Musk (os dois filhos de Musk com a cantora Grimes são X Æ A-12 Musk e Exa Dark Sideræl).
Para encontrar os links, basta arrastar o mouse sob o mapa desenhado por Tjalve. Ele é desenhado com quadrados. Ao achar um dos links escondido, o quadrado vai mudar de cor. Então, basta clicar nele.
“Você desenha um mapa para se perder”, diz Tjalve citando a artista plástica Yoko Ono. “Passamos todo o nosso tempo na internet atrás de algoritmos de recomendação e aplicativos fechados. É hora de fazer o oposto, pular de link em link, encher nossa barra de favoritos, entrar em buracos de obsessão”, afirma na página principal do site.
Uma iniciativa similar ao Wilderness Land é a seção de “Links legais” do site Manual do Usuário , idealizado e capitaneado pelo jornalista Rodrigo Ghedin.
Criado em 2013, o Manual do Usuário foi idealizado para ser um espaço dedicado ao jornalismo de tecnologia de acordo com os preceitos da “slow web” , ideia criada pelo americano Jack Cheng em 2012, que defende uma internet mais lenta, longe do ritmo frenético das redes sociais. “No tempo certo, não em tempo real. Ritmo, não aleatoriedade. Moderação, não excesso. Conhecimento, não informação. Essas são algumas das muitas características da slow web”, afirma Cheng.
Aos sábados, Ghedin publica uma curadoria de links curiosos e interessantes no site. “O Manual do Usuário é o site que eu gostaria de ler. É o meu lugar favorito de toda a internet. Felizmente, dezenas de milhares de outras pessoas também gostam de lê-lo, e desse encontro surge uma comunidade muito legal.”, diz Ghedin na página de descrição do site.
Além da curadoria de links, o Manual do Usuário conta com podcasts, vídeos reportagens e textos de opinião sobre o cruzamento entre tecnologia e sociedade.
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