O que é uso saudável de telas na infância, segundo estudos
Cesar Gaglioni
08 de setembro de 2022(atualizado 06/02/2024 às 10h59)Exposição excessiva de crianças a celulares e televisão é prejudicial, mas há maneiras de minimizar riscos e encontrar os benefícios da atividade
Temas
Compartilhe
Criança jogando no celular
A exposição excessiva a telas e à internet durante a infância não é saudável . Ao mesmo tempo, a presença do ambiente digital na vida cotidiana é inevitável, e banir o uso de dispositivos como celulares, tablets, computadores e TVs é praticamente impossível.
Até os 13 anos de idade, o uso excessivo de telas pode trazer consequências como transtornos físicos e mentais, dificuldades de comunicação e problemas oftalmológicos, de acordo com estudos mais recentes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma que crianças de até cinco anos de idade não devem ser expostas a mais de uma hora de telas por dia.
Neste texto, o Nexo lista os principais riscos da exposição excessiva a telas na infância e traz recomendações para fazer o uso saudável de dispositivos por crianças, de acordo com as pesquisas mais recentes sobre o tema.
Transtornos
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso excessivo de telas por crianças pode gerar, acelerar ou acentuar o aparecimento de transtornos físicos e mentais, como insônia crônica, miopia, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e irritabilidade, se os pequenos passarem horas a fio navegando.
Sedentarismo
O uso excessivo de telas pode levar ao sedentarismo – que por sua vez pode acarretar sobrepeso, obesidade, problemas cardíacos e diabetes. A falta de movimentação física durante a navegação é o principal problema.
Saúde mental
Paralelamente, de acordo com a associação, a exposição a certos tipos de conteúdo – como rotinas cotidianas de influenciadores digitais – pode trazer problemas de autoestima, já que a criança se vê diante de um certo ideal de vida, que podem levar ao desenvolvimento de transtornos como depressão e/ou ansiedade.
Bullying
O ambiente digital também pode propiciar o aparecimento de casos de cyberbullying – quando as agressões típicas do cenário escolar passam para o mundo digital, com uma camada extra de proteção aos agressores pela possibilidade de anonimato. O cyberbullying também pode culminar em depressão e ansiedade.
Sexualização precoce
A profusão de conteúdo pornográfico e erótico na internet também pode trazer a sexualização precoce das crianças, que ainda não têm os mecanismos mentais necessários para entender conceitos como consentimento e assédio.
Dificuldades de socialização
Uma pesquisa da Universidade Federal do Ceará publicada em 2021 mostrou que cada hora adicional de tempo de tela foi associada a menores níveis nos domínios de comunicação infantil, de resolução de problemas pessoais-sociais e do desenvolvimento. O estudo é realizado anualmente com 3.000 crianças desde 1987.
Ao mesmo tempo em que traz uma série de efeitos negativos, o uso de telas pode ser positivo, dando às crianças ferramentas que podem ser aliadas no aprendizado, fonte de entretenimento e plataforma para o contato com amigos e familiares. Confira algumas dicas com base em estudos acadêmicos sobre o assunto.
Estudo da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri publicado em 2020 mostrou que o uso de telas de alta qualidade – com a mediação e participação dos pais acompanhando os conteúdos e balizando o uso – trouxe melhores resultados para o aprendizado infantil.
A pesquisa foi feita com 103 crianças de dois a três anos e meio de idade. Aquelas que tinham um uso saudável de telas acompanhada dos pais mostraram melhores índices de desenvolvimento de linguagem, de coordenação motora e de socialização.
O tipo de conteúdo também faz diferença. Estudo realizado na Universidade de Sidney, na Austrália, em 2019 com 4.013 crianças de 10 e 11 anos de idade mostrou que o uso de telas com atividades ativas (videogames; conversas por celular; leituras) trazia melhores resultados no aprendizado do que as atividades passivas (assistir televisão ou apenas consumir vídeos e fotos). Isso porque as atividades ativas colocam mais áreas do cérebro para funcionar do que as passivas, resultando em um labor cognitivo mais intenso.
Durante a infância, a quantidade de sinapses do indivíduo – as conexões entre os neurônios, as células cerebrais cognitivas – varia. Quanto mais nova a criança, menos sinapses estão plenamente formadas e mais danosos podem ser os efeitos negativos do uso das telas.
Por isso, a quantidade de tempo de tela recomendada varia de acordo com a idade. A OMS tem uma tabela que auxilia nisso:
De acordo com análise do Centro de Estudos da América Latina David Rockefeller, da Universidade de Harvard, publicada no Nexo Políticas Públicas em fevereiro de 2022, os responsáveis legais por crianças devem buscar o equilíbrio no uso de telas e pensá-lo em combinação com as outras atividades da criança.
“Os pais e os principais interessados devem considerar o tempo de tela e suas relações como parte dos comportamentos de movimento de 24 horas (atividade física, tempo sedentário/tempo de tela e sono) ao desenvolver intervenções/programas, estratégias, e políticas de saúde”, afirma o texto.
Para o restante do tempo ocioso das crianças, outras atividades são recomendadas. Para isso, o tema também precisa ser levado em conta na formulação de políticas públicas voltadas para crianças, seja na hora de pensar espaços públicos ao ar livre ou atividades coletivas.
“Os gestores públicos devem criar espaços onde as crianças possam conviver com a natureza, ter acesso a parques infantis, contação de histórias, creches e escolas com um ambiente estimulante para interação com a arte e a música”, diz a análise do centro de estudos de Harvard.
NEWSLETTER GRATUITA
Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia
Gráficos
O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você
NAVEGUE POR TEMAS
ponto. futuro
Navegue por temas