Por que a língua portuguesa veio do galego, não do latim
Ludmilla Rios
14 de maio de 2024(atualizado 15/05/2024 às 18h45)Livro de Fernando Venâncio conta a história da língua e defende que ideia comumente difundida é baseada em um mito cultural
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D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal
“O portugués e o galego nacen num mesmo territorio e cunha experiencia histórica común, a Gallaecia. Somos, pois, linguas irmás, ningunha submetida à outra” — esta é uma frase dita em galego por Victor Frexane, presidente da Real Academia Galega, uma instituição que tem como objetivo fomentar a cultura e língua galegas. O idioma é o oficial da Comunidade Autonoma da Galizia, no noroeste da Espanha, e falado também nas Astúrias, em Castela e Leão e pela diáspora galega, localizada principalmente na Argentina, Brasil, Cuba e Uruguai.
A perspectiva de Frexane coincide com a do livro “Assim nasceu uma língua: sobre as origens do português”, de Fernando Venâncio, linguista e ensaísta português. Na obra, o autor faz uma recapitulação da história da língua de seu país e reconta as conexões muito próximas e a relação parental entre ela e o galego.
A história remonta ao Império Romano, quando o latim começa a se diferenciar em algumas regiões e se tornar aos poucos as línguas latinas que conhecemos hoje.
É complexo estabelecer quando uma língua se torna outra, mas na história do português houve um processo sistemático que é enxergado por linguistas como o ponto de partida dessa diferenciação: a queda das letras /l/ e /n/ entre vogais. Esse fato pode ser exemplificado em palavras como “dolor” , “volare”, “perdonare” e “sonare”, que viraram, respectivamente, “dor”, “voar”, “perdoar” e “soar”. Palavras como “anno” e “bello” também se simplificaram, virando “ano” e “belo”.
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