Extra

Amazônia tem recorde de área com alerta de desmatamento

Da Redação

08 de julho de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h35)

Dados do primeiro semestre do ano apontam que no acumulado de 2022, porção de territórios em risco é 10,6 % superior a registrada no mesmo período de 2021

O Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.

FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS/ 28 DE SETEMBRO DE 2021

Área desmatada da floresta amazônica em Porto Velho, no Estado de Rondônia

Área desmatada da floresta amazônica no Estado de Rondônia

A área em alerta de desmatamento na floresta amazônica brasileira atingiu um novo recorde para os primeiros seis meses do ano. Segundo dados preliminares do governo, no período observado foi destruída uma porção três vezes maior que o município do Rio de Janeiro.De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), 3.988 quilômetros quadrados foram desmatados na região, entre janeiro e junho deste ano. Esse número representa um aumento de 10,6% em relação aos mesmos meses do ano anterior e é o nível mais alto para esse período desde que a agência começou a compilar essa série de dados , em meados de 2015. Já a destruição cresceu 5,5% em junho, para 1.120 quilômetros quadrados, também um recorde para o mês.

Em um outro dado alarmante, o Brasil registrou o maior número de focos de incêndios na Amazônia no mês de junho em 15 anos. Dados divulgados pelo Instituto apontaram que a Amazônia teve o maior número de queimadas em junho desde 2007. Foram registrados 2.562 focos de incêndio no sexto mês deste ano, o que representa uma alta de 11% na comparação com maio.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e contém grandes quantidades de carbono, que é liberado à medida que as árvores são destruídas, aquecendo a atmosfera e contribuindo diretamente para as mudanças climáticas. Os dados revelam que o desmatamento está ocorrendo cada vez mais fundo na floresta.

Segundo Manoela Machado, pesquisadora de incêndios florestais e desmatamento da Universidade de Oxford, o desmatamento crescente deste ano também está alimentando níveis excepcionalmente altos de focos de incêndio, que provavelmente piorarão nos próximos meses. Ela explica que, normalmente, após a madeira ser extraída, fazendeiros e grileiros queimam a terra para terminar de desmatá-la para a agricultura. “Se tivermos altos números de desmatamento, é inevitável que também tenhamos altos números de incêndios”, afirmou a pesquisadora.

À medida que o clima se torna mais seco e mais quente na Amazônia, o desmatamento e as queimadas tendem a aumentar. “É bem difícil ser otimista para os próximos meses da Amazônia”, disse Rômulo Batista, ativista florestal do Greenpeace Brasil.

Ativistas e especialistas ambientais culpam o presidente Jair Bolsonaro por reverter as proteções ambientais e encorajar madeireiros, fazendeiros e especuladores de terras que desmatam terras públicas com fins lucrativos. Mesmo que Bolsonaro perca o cargo nas eleições presidenciais de 2022, cientistas e ativistas acreditam que o Brasil muito provavelmente seguirá com altos níveis de desmatamento e focos de incêndios, já que os criminosos estão capitalizando ao máximo a baixa fiscalização ambiental, antes de uma possível mudança de governo.

Procurados pela Agência Reuters, o Palácio do Planalto e o Ministério do Meio Ambiente não responderam a pedidos de comentários sobre os números ou políticas de desmatamento.

(Com informações da Reuters)

Continue no tema

NEWSLETTER GRATUITA

Nexo | Hoje

Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Gráficos

nos eixos

O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Navegue por temas