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Marcelo Coelho

Mostra de arte do Brasil em Londres não entusiasma a crítica

05 de fevereiro de 2025

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Tudo é bem bom em exposição com obras de modernistas brasileiros, ou no mínimo atraente para o europeu. Razão para antipatia em análises merece ser investigada

Mal terminou a exposição Tarsila do Amaral em Paris, chega a Londres uma grande mostra de arte brasileira. “Brasil! Brasil! The Birth of Modernism” fica até dia 21 de abril na Royal Academy of Arts, em parceria com o centro Paul Klee de Berna.

Eles escrevem com “S” mesmo, adotando simpaticamente a nossa grafia, como para ecoar o espírito de afirmação nacional que motivava a pintura de Tarsila ou Portinari. 

Além desses dois (Tarsila sem Abaporu, mas com muitas paisagens pau-brasil, e Portinari com o grandioso “Lavrador de café” e “Emigrantes”), há muita coisa de  Volpi, Lasar Segall, Anita Malfatti, Flávio de Carvalho, Burle Marx, Vicente do Rego Monteiro, Geraldo de Barros, Djanira e Rubem Valentim, quase todos eles com uma sala própria e uma boa dúzia de obras.

FOTO: Marcelo Coelho

Fachada da Royal Academy of Arts, em Londres, que abriga a exposição “Brasil! Brasil! The Birth of Modernism”

Nem tudo é coisa conhecida para o visitante brasileiro. Em 1944, a Royal Academy tinha recebido uma exposição de arte moderna brasileira, com obras à venda  – e um lindo e perfeito autorretrato de Burle Marx, feito um ano antes, terminou numa tal Huddersfield Art Gallery, em Yorkshire. Com tonalidades de quadro cubista no fundo, e mil nuances de rosa morena no primeiro plano, Lasar Segall fez um retrato de Lucy Citti Ferreira que hoje pertence aos acervos de arte da Escócia.

Marcelo Coelhoé jornalista, com mestrado em sociologia pela USP (Universidade de São Paulo). Escreveu três livros de ficção (“Noturno”, “Jantando com Melvin” e “Patópolis”), dois de literatura infantil (“A professora de desenho e outras histórias” e “Minhas férias”) e um juvenil (“Cine Bijou”). É também autor de “Crítica cultural: teoria e prática” e “Folha explica Montaigne”, além de três coletâneas com artigos originalmente publicados no jornal Folha de S.Paulo (“Gosto se discute”, “Trivial variado” e “Tempo medido”).

Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

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