Debate
Pedro Rossi
Esta crise é um golpe violento no paradigma neoliberal e mostra que se o Estado pode, por meio de solidariedade social e esforço coletivo, mobilizar recursos para vencer o vírus, pode também vencer mazelas sociais como a miséria, a falta de moradia, o desemprego, os desafios ambientais, etc.
A primeira ministra alemã, Angela Merkel, qualificou o enfrentamento ao coronavírus como o maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhum outro desafio, disse ela, dependeu tanto do empenho e da solidariedade comum.
Assim como aquela guerra resultou em uma profunda transformação no modo de organização capitalista, a crise do coronavírus pode marcar uma inflexão, daquelas que move paradigmas e estabelece novos padrões de relação entre Estado, mercado e sociedade. Trata-se de um momento histórico específico, único e raro, que mobiliza a sociedade em torno de um propósito comum e testa a capacidade das instituições estabelecidas.
Este breve artigo resgata a experiência histórica do pós-guerra e diferencia a organização social e o papel do Estado em uma guerra convencional e na atual guerra sanitária. A partir dessa análise avaliam-se os possíveis aprendizados com a crise atual.
O aprendizado do pós-guerra e o espírito de 1945
Uma economia de guerra é um desafio e tanto. Assim como na guerra sanitária, a guerra convencional mobiliza mentes e corações, subordina o indivíduo e as individualidades ao objetivo comum e atribui ao Estado o papel de organizar a sociedade para tal objetivo.
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