Especial

A caminhada do movimento negro no Brasil

Murilo Roncolato

24 de novembro de 2015(atualizado 22/01/2024 às 14h20)

Luta contra o racismo e por afirmação se amplia no Brasil e chega aos dias de hoje mais diversificada

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No dia 20 de novembro comemora-se no Brasil o Dia da Consciência Negra, data adotada como feriado em mais de mil cidades do país por lei estadual (caso do Rio de Janeiro) ou municipal (caso da capital paulista). O dia e o mês fazem referência à suposta data de morte de Zumbi, líder negro que comandou o maior quilombo do período colonial brasileiro, o de Palmares, localizado no atual estado do Alagoas, e foi assassinado, há 320 anos, por ordem do governo local. Com porte de cidade e estrutura de fortaleza, acredita-se que o refúgio tenha abrigado uma população de até 20 mil escravos fugidos.

A escolha da data (instituída por lei federal em 2011), no entanto, é polêmica e cheia de história. Há quem considere pouco consistente a tese de que Zumbi tenha sido morto no dia 20 de novembro mesmo, ou ainda quem considere a escolha do dia 20 e a rejeição, por alguns, ao dia 13 de maio (que remete à Lei Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil) uma leitura equivocada da história. O fato é que, para além da discussão sobre imprecisão histórica, a escolha do dia 20 é sobretudo política e está ligada à história dos movimentos negros organizados no Brasil.

Povo de cor

No período do Império no Brasil, o Brasil foi palco de uma forte campanha pró-libertação. O movimento abolicionista é tido, portanto, como uma das primeiras formas organizadas de luta política em favor da população negra no Brasil. Essa parte da história culmina no 13 de maio de 1888, com a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel na ausência do imperador D. Pedro II, que estava doente em Milão, na Itália.

FOTO: ARQUIVO/REPRODUÇÃO

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