Como a história dos EUA vai da atração à repulsa aos imigrantes
João Paulo Charleaux
12 de fevereiro de 2018(atualizado 28/12/2023 às 02h15)Historiador e escritor Paul Kramer, da Universidade Vanderbilt, fala ao ‘Nexo’ sobre a mutação do racismo na linguagem e na política americana desde a independência
Os EUA são um país formado por sucessivas ondas de imigrantes. Apesar disso, sua história sempre esteve marcada pelo convívio entre atratividade e repulsa às pessoas de fora.
No momento atual, o presidente americano, Donald Trump, eleito em 2016, implementa uma agressiva política anti-imigração, marcada não apenas por medidas restritivas concretas contra certos grupos de cidadãos estrangeiros, mas também por uma escalada verbal sem precedentes, na qual chegou a se referir a alguns países como “ buracos de merda ”.
Para o historiador e escritor Paul Kramer , da Universidade Vanderbilt, de Nashville, isso se deve a “uma antiga tradição americana de declarar a pessoa que fica logo atrás de você ao descer do bote como um imigrante perigoso”. Ou seja: todo americano, com exceção dos indígenas, foi, em algum momento, imigrante ou descendente de imigrante, mas, por alguma razão, o imigrante é sempre o outro.
Essa política seletiva foi dirigida ao longo da história contra pessoas de diferentes perfis – negros, asiáticos, latinos, europeus do sul e do leste –, numa busca por embranquecer a população. E também para dar a essa população branca e protestante o molde de um arquétipo “nativo”.
Nesta entrevista, feita com Kramer por e-mail, no dia 4 de fevereiro, ele explica as diferentes ondas migratórias e seu cruzamento com o discurso político em cada uma dessas eras, até se conectar com o governo do atual presidente.
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