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O projeto para tornar Paris uma ‘cidade de 15 minutos’

Bruno Cirillo

24 de janeiro de 2021(atualizado 28/12/2023 às 22h57)

Conceito de planejamento urbano ajudou na reeleição da prefeita da capital francesa, Anne Hidalgo, e defende hiperproximidade entre moradia e diferentes atividades

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FOTO: ALEXANDER SPATARI/GETTY IMAGES

Paris, Ile-de-France, França

Paris, Ile-de-France, França

Ter acesso a todos serviços básicos, trabalho e lazer a uma distância de 15 minutos a pé do lugar onde se mora. A visão, defendida pelo professor franco-colombiano Carlos Moreno, da Universidade de Sorbonne, está na pauta da prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Com o nome de “cidade de 15 minutos”, “cidade inteligente” ou “cidade do futuro”, a ideia é considerada uma tendência no planejamento urbano.

No seu primeiro mandato na capital francesa, Hidalgo limitou a circulação de carros, ampliou as ciclovias e abriu mais ruas para pedestres. Na campanha pela reeleição que a levou à vitória em julho de 2020, apresentou como proposta a ideia de Moreno, que defende o conceito desde 2008 e se tornava conselheiro de mobilidade de Paris em 2015.

Em linhas gerais, numa cidade do tipo é possível ter acesso aos serviços relevantes para o cotidiano – como trabalhar, ter aulas, ir a restaurantes, cinemas e outras atividades culturais – em 15 minutos caminhando ou de bicicleta.

O conceito já foi objeto de estratégias e investimentos em lugares como Ottawa, no Canadá, Detroit, nos Estados Unidos, e Barcelona, na Espanha, segundo especialistas.

Proximidade e comunidade

A ideia por trás das cidades de 15 minutos, desenvolvida por Moreno, prevê a “hiperproximidade” de equipamentos, empregos, serviços governamentais, parques públicos, comércio e uma variedade de opções de entretenimento. Dentro de um pequeno raio, a partir de suas casas, comunidades mais fortes poderiam ser criadas, permitindo que os moradores se sintam mais incluídos nos comércios e serviços de sua região.

O conceito é parcialmente inspirado no trabalho da escritora e ativista canadense Jane Jacobs, autora de “Morte e vida das grandes cidades”, que via os bairros como conectores sociais.

A proposta está na agenda do Grupo C40 de Grandes Cidades, uma frente internacional de combate às mudanças climáticas formada em Londres, na Inglaterra, em 2005, por 40 municípios. As brasileiras Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador são integrantes, e Curitiba é associada à rede.

Segundo a organização, iniciativas similares à ideia de cidade de 15 minutos podem ser encontradas em planos diretores australianos: na região metropolitana de Sydney, em que o objetivo é criar uma cidade de 30 minutos, e Melbourne, onde o objetivo é criar bairros de 20 minutos. Em Singapura, na Ásia, o objetivo é que 90% das viagens nos horários de pico não ultrapassem 45 minutos.

O projeto de Paris

Batizada de “ville de quart d’heure” (“cidade de um quarto de hora”) em Paris, a iniciativa quer transformar a capital e tornar seus bairros mais eficientes, para reduzir a poluição e criar áreas social e economicamente diversas.

Ao revelar seu plano, em 2020, Hidalgo anunciou que o processo de revitalização urbana incluiria outras estratégias, como uma força policial desarmada de 5.000 pessoas, um compromisso maciço de plantar mais árvores e multas pesadas para quem jogar lixo na rua. Ela afirmou que deseja continuar a promover a circulação de pedestres na capital, estabelecendo uma ciclovia em todas as ruas da cidade ao longo dos próximos três anos, ao mesmo tempo em que vai retirar 60 mil vagas de estacionamento para veículos.

Um dos principais aspectos da cidade de 15 minutos, a mobilidade ativa tem ganhado atenção durante a pandemia: além de boas opções para a saúde e o meio ambiente, caminhar e pedalar estão entre as formas de deslocamento com menor risco de contágio pelo vírus que causa a covid-19.

Para Moreno, a pandemia fez com que os planos para as cidades de 15 minutos se mostrassem ainda mais acertados. Em entrevista ao jornal português O Expresso, ele defende que esse é o caminho do presente e do futuro. “A melhor mobilidade é mais reduzida, opcional, descarbonizada, feita a pé ou de bicicleta. Para isso é preciso que as pessoas tenham ao seu alcance as funções essenciais: habitação, trabalho, aquisição de bens, saúde, educação e distração. Mas nas cidades modernas há uma separação espacial dessas funções”, disse.

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