Expresso

Bolsonaro está retomando o fôlego? O que dizem as pesquisas

Isadora Rupp

16 de março de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h24)

Presidente tem melhora na avaliação de governo, apesar de se manter bastante impopular. Levantamentos sobre intenção de voto registram ligeira alta. Entenda por que isso está acontecendo

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FOTO: ADRIANO MACHADO /REUTERS

Presidente Jair Bolsonaro na foto à esquerda, com terno escuro, camisa branca e gravata azul. Em primeiro plano, a imagem sombreada de uma pessoa, à direita

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília no dia 15 de março de 2022

Pesquisas divulgadas em março vêm apontando para uma melhora da avaliação de governo, além de alguns pontos percentuais a mais para Jair Bolsonaro na disputa presidencial que ocorre em outubro.

Bolsonaro continua mal avaliado e também muito atrás do ex-presidente Lula nas intenções de voto, mas a leve mudança no quadro chama atenção por ocorrer num momento de crise econômica.

Neste texto, o Nexo mostra a variação das pesquisas neste início de 2022 e explica os motivos que podem estar influenciando a mudança.

A avaliação de governo

A Quaest Consultoria realizou uma pesquisa com 2.000 entrevistados entre os dias 10 e 13 de março, numa encomenda da Genial Investimentos. As perguntas foram feitas pessoalmente, em domicílio, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

Na avaliação de governo, o resultado mostra que 49% dos entrevistados classificaram a gestão Bolsonaro como “ruim ou péssima”. Esse percentual era de 51% em fevereiro e de 56% em novembro de 2021. Ou seja, a rejeição ao desempenho do presidente vem caindo.

Rejeição da gestão Bolsonaro

Gráfico comparativo em linhas coloridas mostra a avaliação do governo Bolsonaro de novembro de 2021 a março de 2022, nos quesitos negativo, regular, positivo e não sabe

A redução do número de pessoas que consideram seu governo “ruim ou péssimo” foi mais intensa no Nordeste (o índice foi de 61% em fevereiro para 56% em março) e no Norte (o índice foi de 48% em fevereiro para 36% em março).

Outros institutos de pesquisas indicam melhora da avaliação de Bolsonaro, como o MDA , responsável pelos levantamentos encomendados pela CNT (Confederação Nacional dos Transportes). O instituto entrevistou entre 16 e 19 de fevereiro 2.002 pessoas, em domicílio, e registrou 43% de avaliação “ruim ou péssima”. O porcentual era de 48% em dezembro de 2021. A margem de erro é de 2,2 pontos (a pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-09751/2022).

Intenção de voto: estabilidade e avanço

O levantamento da Quaest Consultoria também mediu a intenção de voto para as eleições presidenciais. O ex-presidente Lula aparece com com 44%, enquanto Bolsonaro tem 26%, três pontos a mais do que havia registrado em fevereiro. Ou seja, a melhora está ligeiramente acima da margem de erro de dois pontos. Lula segue estável.

Lula x bolsonaro

Gráfico comparativo em linhas coloridas azul, vermelha e cinza mostra a intenção de voto em Lula, Bolsonaro, entre os que não querem nenhum dos dois e indecisos

Outros institutos registraram a mesma tendência. Realizada entre 13 e 15 de fevereiro, uma pesquisa PoderData mostra que a distância entre o ex-presidente Lula e o atual mandatário caiu cinco pontos percentuais em um mês.

Nesse levantamento, o petista registrou 40% e o presidente, filiado ao PL, obteve 31%, uma distância de nove pontos. Em janeiro, as porcentagens eram de 42% e 28%, com uma diferença de catorze pontos. O levantamento foi feito com 3.000 pessoas, por telefone (registrada no TSE sob o número BR-06942/2022)

Os resultados sob análise

“A tendência das pesquisas é uma só: a de recuperação de Bolsonaro. Tanto nas telefônicas quanto nas presenciais vimos uma melhora na avaliação de governo e intenção de voto”, disse ao Nexo o cientista político e CEO da Quaest Consultoria, Felipe Nunes.

Segundo Nunes, dois fatores explicam a melhora de Bolsonaro nos levantamentos. O primeiro é que o eleitor bolsonarista frustrado com o governo também se frustrou com a chamada “terceira via”.

Os pré-candidatos que querem se opor tanto a Lula como a Bolsonaro, como Sergio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB), não saem das mesmas porcentagens, que não chegam a dois dígitos.

O segundo fator é o Auxílio Brasil , programa social no valor mínimo de R$ 400 que é pago para famílias de baixa renda desde novembro de 2021. O programa enfrentou problemas no começo, mas depois deslanchou. Em fevereiro, o Auxílio Brasil foi pago para 18 milhões de famílias , de acordo com dados do Ministério da Cidadania.

Segundo a Quaest, 45% das pessoas que recebem o auxílio e votaram em Bolsonaro em 2018 disseram que o governo era “pior” do que elas esperavam em fevereiro. Em março, um mês depois, essa porcentagem despencou para 23%. Nunes ressaltou ainda que, geralmente, o último ano dos governos têm avaliações melhores, por causa de inaugurações de obras, por exemplo.

Para Luciana Santana, doutora em ciência política, professora da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) e do programa de pós-graduação em ciência política da UFPI (Universidade Federal do Piauí), a “terceira via” com pouca musculatura é o fator eleitoral mais importante para explicar o avanço do presidente.

“Esse eleitor no espectro de direita que votou em Bolsonaro em 2018 estava esperando uma terceira via, e percebeu que não vai acontecer. E aí ele prefere o Bolsonaro ao Lula”, disse ela ao Nexo .

A professora citou que escândalos recentes, como o vazamento de áudios sexistas do deputado do MBL (Movimento Brasil Livre) Arthur do Val (ex-Podemos e atualmente sem partido), afetaram ainda mais Moro, que tinha o deputado como palanque em São Paulo.

O ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro de Bolsonaro também não engrena, segundo Nunes, por não deixar o tema combate à corrupção de lado, em uma eleição em que os problemas econômicos como inflação, desemprego e gasolina cara serão as questões predominantes.

51%

dos entrevistados pela Quaest Consultoria disseram em março de 2022 que o principal problema do país é a economia. É o maior patamar desde julho de 2021

Uma atitude menos beligerante de Bolsonaro também tem ajudado o presidente, segundo Santana. Depois da cruzada contra a vacinação infantil na pandemia, o presidente e o Ministério da Saúde vêm deixando os ataques de lado. “Com o avanço da vacinação e a retomada das atividades presenciais as pessoas se sentem mais tranquilas, e isso faz com que elas critiquem menos o governo”.

Santana e Nunes avaliam que a eleição presidencial de 2022 será muito disputada.A campanha será difícil para Lula, que vai apanhar dos bolsonaristas e da terceira via. Mas o petista está na memória do eleitor, que vai ter um ingrediente a mais para avaliar o que ganhou em um governo e o que ganhou neste atual”, disse Santana.

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