Frio: um guia para doações que de fato ajudam as pessoas
Isadora Rupp
19 de maio de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h30)Com auxílio de ativistas sociais, o ‘Nexo’ elenca cinco pontos para levar em consideração na hora de realizar o ato solidário
Homem em situação de rua no centro de São Paulo
O frio intenso pelo Brasil vem mobilizando grupos solidários, instituições religiosas, ONGs e prefeituras para socorrer de forma emergencial pessoas em situação de rua, grupo mais vulnerável e ameaçado pelas temperaturas baixas.
Problema crônico e crescente em capitais brasileiras como São Paulo, que registrou um aumento de 31% da população em situação de rua em dois anos, de 2019 a 2021, temperaturas abaixo dos dois dígitos podem ser mortais para quem não tem um teto.
32 mil
é o número estimado de pessoas em situação de rua na capital paulista, segundo o censo da prefeitura
Um homem de 66 anos morreu n a manhã de quarta-feira (18) ao chegar a um centro de acolhida no bairro Belém, zona leste de São Paulo. Isaias de Faria havia passado a madrugada na rua, a mais fria para o mês de maio desde os anos 1990, e teve dificuldade para achar vaga nos abrigos da prefeitura.
Neste guia abaixo, o Nexo mostra qual o tipo de doação que atende a população de rua e as instituições, o que doar e em qual estado os itens precisam estar. Os tópicos foram elaborados com a ajuda de:
Roupas íntimas sujas, biquínis, sapatos de salto alto, trajes de festa: são alguns itens que projetos que trabalham com doações de roupas de frio e fundações de ação social recebem nas campanhas. Peças mofadas, rasgadas e sem condições de uso também são recorrentes, o que dificulta o trabalho de triagem e atrasa a chegada da doação.
“Infelizmente, as pessoas juntam o conceito de doar a descartar. Por isso temos dificuldade em lidar com doações de roupas, porque precisa de uma triagem minuciosa”, disse ao Nexo a estudante de direito Larissa Isadora Ribeiro, idealizadora do projeto Sopão Curitiba, que distribui 150 refeições semanais para pessoas em situação de rua.
A atitude de “se livrar” das roupas não se restringe a doações de campanhas de frio: uma montanha de roupas e calçados teve de ser incinerada em Petrópolis , na região serrana do Rio de Janeiro, que estavam amontoadas em uma praça da cidade, que foi atingida por chuvas mortais em fevereiro.
Roupas sem utilidade devem ser descartadas – mas nunca no lixo. Há programas lançados por redes de fast fashion como Zara, Renner e C&A, que deixam caixas à disposição nas lojas para o descarte correto.
Por mais que as ações direcionadas para atender a população em situação de rua sejam emergenciais, frentes frias ocorrem todos os anos. Por isso, separe com antecedência o que tem em casa – como cobertores e casacos. Higienize e deixe armazenado de forma adequada até surgir a oportunidade de doar. Pense que a doação vai atender a uma necessidade emergencial, e a pessoa precisa de uma peça limpa para usar.
Cátia Lara Martins, da Fasc Porto Alegre, indica, se possível, separar a doação em categorias, como gênero e tamanho, e etiquetar a sacola ou a caixa. Outra dica é amarrar pelo cadarço os pares de calçados e tênis, para que não se percam.
Como a população de rua é majoritariamente formada por homens, a maior necessidade é por roupas masculinas. Prefira a doação de peças confortáveis e duráveis como calças jeans, de moletom, blusas quentes, casacos e tênis confortáveis. Não esqueça de destinar acessórios como luvas, gorros, cachecóis e meias em bom estado de conservação.
Se a doação não atender a esse critério, procure as associações de bairro, os centros comunitários e as igrejas locais, que necessitam de roupas femininas para bazares, por exemplo, e de roupas infantis para atender determinados grupos e comunidades.
“Quem tem frio e fome tem necessidade imediata. É importante que todos tenham uma atitude positiva e sejam elas mesmas um ponto de ajuda”, disse ao Nexo o Padre Júlio Lancellotti, conhecido por suas ações humanitárias no centro de São Paulo, em especial na região da cracolândia.
Ter um par de meia extra ou um agasalho em mãos para doar, carregar um cobertor ou um casaco no carro e oferecer uma bebida quente para pessoas em situação de rua são algumas das atitudes mencionadas pelo pároco que podem ser feitas de forma simples no dia a dia.
Caso se identifique com algum projeto, a doação em dinheiro é fundamental para atender urgências: o Padre Júlio e o músico e apresentador João Gordo fizeram uma vaquinha virtual para comprar cobertores e distribuir aos sem-teto em São Paulo, e conseguiram uma arrecadação ágil. Além disso, é prático para quem doa, pois os valores podem ser destinados via
Pix, transferência ou cartão de crédito.
No Sopão Curitiba, as doações em dinheiro facilitam a organização do projeto. “Podemos fazer as compras da semana de uma vez, aproveitar o que já temos no estoque e pesquisar um preço mais baixo. Mas entendemos que algumas pessoas não confiam e aceitamos de muito bom grado a doação dos alimentos também”, disse Ribeiro.
No outono e no inverno, as prefeituras das cidades promovem campanhas para recolher roupas e agasalhos, com diversos pontos de coleta. É só pesquisar o mais próximo.
A Pastoral do Povo de Rua, comandada por Lancellotti, recebe doações em dinheiro e pede que itens como cobertores, roupas masculinas e acessórios de frio sejam entregues em São Paulo nos endereços: Rua Dutra Rodrigues, n° 3, na Luz, na Praça da Sé n°, 47 e na Rua Taquari n° 1.100, na Mooca. O Sopão Curitiba recebe doações via Pix e está com uma campanha para compra de pares de meias .
ONGs como a Ação da Cidadania promovem campanhas o ano todo, voltadas para o combate à fome. O Exército da Salvação pede a doação de cobertores neste momento, e retira a doação em casa. Aceita também itens como móveis e eletrodomésticos e faz a retirada no endereço do doador, mediante agendamento.
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