Expresso

O que faz uma música dar vontade de dançar, segundo este estudo

Pedro Bardini

05 de abril de 2024(atualizado 19/04/2024 às 11h44)

Pesquisadores de universidade francesa submeteram pessoas a diferentes faixas, com síncopes diferentes, até chegarem à ‘experiência do groove’

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FOTO: Ardian Lumi/Unsplashpessoas dançando na rua

Pessoas dançam em rua de Lisboa, Portugal

Um estudo publicado em março de 2024 pelo neurocientista Benjamin Morillon e outros pesquisadores da universidade francesa de Aix-Marseille analisou a relação neurológica entre música e dança.

Já se sabia que o sistema motor das pessoas auxilia no reconhecimento de padrões temporais, antecipando eventos futuros. A lógica da dança vem daí. Mas por que algumas músicas nos estimulam mais a ir para a pista?

O artigo dos neurocientistas foi publicado pela revista científica Science Advances.

O que diz o estudo

Os pesquisadores pediram aos mais de 60 participantes do estudo que avaliassem faixas com diferentes graus de síncope, conceito relacionado aos deslocamentos de tempos fracos e fortes na música. Quanto mais intensa a síncope, menos previsível fica a música.

As faixas utilizadas no estudo estão disponíveis na plataforma GitHub. Todas elas têm a mesma marcação (som de chimbal nos exemplos abaixo). Ela é combinada a síncopes diferentes (som de contrabaixo nos exemplos abaixo). Ouça três delas:

Os participantes do estudo tinham de 19 a 71 anos, a maioria do gênero feminino. Em resumo, eles ouviam as faixas e diziam quais davam mais vontade de dançar.

O estudo concluiu que músicas com síncope média (segundo exemplo acima) são as mais eficientes. Elas proporcionam a “experiência do groove”, que ocorre na identificação da construção rítmica da música. Ela não pode ser tão óbvia (primeiro exemplo) nem tão complicada (terceiro exemplo).

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Os pesquisadores submeteram alguns participantes do estudo a uma magnetoencefalografia, técnica neurofisiológica usada para medir os campos magnéticos associados à atividade dos neurônios. Viram que a região cerebral que processa os estímulos auditivos (córtex auditivo) rastreia a síncope. E a região que conecta o córtex auditivo às áreas de movimento (via auditiva dorsal) faz o corpo reagir.

Essas descobertas se alinham a previsões de um modelo neurodinâmico, sugerindo que o envolvimento do sistema motor oscilatório durante a audição musical reflete o tempo preditivo e é afetado pela interação da dinâmica neural ao longo da via auditiva dorsal”, escreveram os autores a respeito dos resultados do estudo.

A neurologista Constantina Theofanopoulou, que não participou no artigo, disse à revista alemã Spektrum der Wissenschaft que o estudo “dá um passo para preencher a lacuna” entre os campos da música e da dança, que há pouco tempo eram estudados separadamente. Para ela, estudar a coordenação entre diferentes áreas cerebrais pode ajudar a desvendar por que certas pessoas têm o movimento rítmico prejudicado.

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