Expresso

A inelegibilidade de Marine Le Pen na França

Da Redação

31 de março de 2025(atualizado 31/03/2025 às 15h21)

Líder da extrema direita no país, deputada é condenada por ter remunerado funcionários do seu partido com verbas do Parlamento Europeu

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Marine Le Pen

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O Tribunal Correcional de Paris condenou nesta segunda-feira (31) a deputada Marine Le Pen a quatro anos de prisão e cinco de inelegibilidade por desvio de fundos quando era eurodeputada entre 2004 e 2017. Derrotada três vezes em eleições presidenciais, a política de extrema direita era uma das favoritas ao pleito de 2027.

Promotores acusam Le Pen e outros oito membros do Reagrupamento Nacional de usarem as verbas destinadas à contratação de assessores parlamentares para remunerar funcionários do partido. De acordo com a defesa da deputada, as regras do Parlamento Europeu sobre as funções de um assessor de eurodeputado não são claras. 

A inelegibilidade de Le Pen se aplica imediatamente, mas ela não perde seu cargo no Parlamento francês. Já a pena de prisão só começa a correr depois que a decisão transitar em julgado (ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso). Seu advogado informou que ela vai recorrer. 

A repercussão

Líderes da extrema direita mundial se manifestaram em solidariedade a Le Pen. Foi o caso de Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, Viktor Orbán, presidente da Hungria, Matteo Salvini, senador italiano, Santiago Abascal, do Vox espanhol, e do bilionário Elon Musk, secretário do governo Donald Trump. A Rússia, por meio de seu porta-voz Dmitry Peskov, também afirmou estar preocupada com “o caminho da violação das normas democráticas na Europa”. 

Na França, a repercussão foi mista, como mostrou a agência Reuters. 

À esquerda, o Partido Comunista saudou a decisão, enquanto a França Insubmissa afirmou que a condenação só serviria para Le Pen se vitimizar. Políticos do Republicanos, de direita, disseram que a deputada não deveria ter seu nome tirado das urnas.

Se a inelegibilidade de Le Pen for mantida, seu sucessor na liderança do Reunião Nacional deverá ser o deputado Jordan Bardella, de 29 anos. “A democracia francesa foi assassinada”, disse o parlamentar nesta segunda-feira (31), antes de convocar manifestações “pacíficas” contra a decisão da Justiça de Paris. 

O momento da extrema direita francesa

O Reagrupamento Nacional conquistou 143 assentos na Assembleia Nacional francesa nas eleições de 2024, que foram antecipadas pelo presidente Emmanuel Macron após o sucesso do partido de Le Pen no pleito para o Parlamento Europeu no mesmo ano. 

As origens do partido remetem a 1972, quando foi fundada a Frente Nacional. Entre as figuras fundadoras estavam milicianos da direita, militantes fascistas, ex-integrantes da SS (força paramilitar nazista) e apoiadores da República de Vichy — nome dado ao governo colaboracionista francês que aceitou a ocupação nazista de metade do país durante a Segunda Guerra Mundial e ajudou ativamente na perseguição aos judeus.

O fundador e líder da Frente Nacional por décadas foi Jean-Marie Le Pen, pai de Marine. Ele foi expulso pela filha em 2011, num esforço de suavização da imagem pública do partido que, sete anos depois, resultou na sua renomeação para Reagrupamento Nacional. 

Outras medidas adotadas nesse rebranding foram o foco na economia, o afastamento do discurso antissemita —comum na época de Jean-Marie —, a aproximação com a União Europeia e a relativização da pauta de costumes. 

Como resultado, o Reagrupamento Nacional saltou da margem de 10% a 15% do eleitorado para resultados mais substantivos nos pleitos de 2022 e 2024. Marine, por sua vez, conseguiu chegar ao segundo turno em duas eleições presidenciais, em 2017 e 2022.

Em compensação, o partido de Le Pen ainda tem oposição à imigração em seu cerne. Nas eleições legislativas de 2024, estavam entre as principais bandeiras do Reagrupamento Nacional propostas como a revogação da cidadania automática para filhos de imigrantes nascidos na França e a priorização de franceses nativos no acesso a serviços públicos.

“Marine Le Pen mudou muita coisa, mas o coração do projeto dela é o mesmo do pai”, disse o cientista político Thomas Zicman de Barros, pesquisador da Science Po, em entrevista ao Nexo em julho de 2024.

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