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O desgaste da ciência

Revista Pesquisa Fapesp

24 de novembro de 2024(atualizado 24/11/2024 às 19h49)

Mulheres têm maior probabilidade do que homens de parar de publicar artigos científicos, mostra levantamento

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ARTIGO ORIGINAL

O desgaste da ciência

Revista Pesquisa Fapesp

19 de novembro de 2024

Autoria: Revista Pesquisa Fapesp

 

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FOTO: Polina Tankilevitch/Pexelspessoa consultando livros com caneta na mão

Estudo revelou que quase metade dos pesquisadores parou de publicar artigos uma década após o início da carreira científica

Um estudo publicado na revista Higher Education que analisou a produção de 400 mil pesquisadores de 38 países mostrou que quase metade deles parou de publicar artigos uma década após o início da carreira científica – um terço já havia deixado de produzir papers após cinco anos. Os dados indicam que as mulheres têm mais probabilidade de parar de publicar do que os homens, embora a diferença seja menos expressiva entre a geração mais jovem de pesquisadores.

Marek Kwiek e Lukasz Szymula, ambos da Universidade Adam Mickiewicz, na Polônia, analisaram as publicações de dois grupos de cientistas – 142.776 pesquisadores (52.115 mulheres) que iniciaram a publicação de artigos em 2000 e 232.843 (97.145 mulheres) que começaram em 2010. Utilizaram o banco de dados Scopus, da editora Elsevier, como parâmetro da atividade científica em 16 disciplinas das áreas de ciências, tecnologia, engenharias, matemática e medicina. “Sempre soubemos que pesquisadores deixam a ciência, mas a escala desse abandono era, de certa forma, desconhecida”, disse Kwiek à revista Nature.

No grupo que começou a publicar nos anos 2000, as mulheres eram 12% mais propensas do que os homens a interromper as atividades científicas que resultam em publicações após cinco ou 10 anos de carreira. Em 2019, apenas 29,4% das mulheres do grupo ainda publicavam artigos, em comparação com quase 33,6% dos homens. Já no universo de pesquisadores que iniciou suas atividades em 2010 e representa uma geração mais jovem de cientistas, a diferença entre os gêneros foi menor: cerca de 41% das mulheres e 42% dos homens ainda publicavam uma década após seu primeiro artigo.

Em disciplinas em que a presença de mulheres se destaca, a probabilidade de que elas parem de publicar também é maior. Em biologia, por exemplo, 58% das mulheres interromperam as atividades científicas após 10 anos, ante 49% dos homens. Já em áreas com participação de mulheres mais restrita, as taxas eram semelhantes para os dois gêneros. Em física, 48% das mulheres e 47% dos homens pararam de publicar uma década após o início da carreira.

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Os autores alertam que os dados não devem ser interpretados como um abandono de carreira: os pesquisadores podem ter assumido funções acadêmicas administrativas ou ter sido empregados na indústria, em que se demanda sua expertise, mas não são cobradas publicações em revistas científicas.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

A seção “Externo” traz uma seleção de textos cedidos por outros veículos por meio de parcerias com o Nexo ou licenças Creative Commons.

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