Queiroga diz que vacinação de crianças precisará de atestado médico
Da Redação
23 de dezembro de 2021(atualizado 28/12/2023 às 23h35)Apesar de autorização de técnicos da Anvisa, governo protela início da imunização contra covd-19 na faixa etária de 5 a 11 anos. Brasil teve quase um óbito infantil a cada dois dias desde o início da pandemia
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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante evento em Brasília
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse naquinta-feira (23) que o governo vai, sim, vacinar crianças contra a covid-19. Mas haverá condicionantes: prescrição médica e assinatura de um termo de consentimento pelos pais, algo inexistente na imunização infantil para outras doenças.
A declaração foi dada depois de o ministro afirmar que o número de mortes de crianças entre 5 e 11 anos causadas pela covid-19 é a baixo e não justifica acelerar o início da vacinação para a faixa etária, apesar de já haver autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Ministério da Saúde está realizando uma consulta pública sobre a imunização de crianças, apesar do aval técnico da Anvisa, da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e da pressão de governadores, secretários de saúde e especialistas.
“Felizmente o número de óbitos nessa faixa etária é baixo. Isso quer dizer que não devamos nos preocupar? Claro que não. Mas mesmo que as vacinas começassem a ser aplicadas amanhã, isso não teria o condão de resolver o problema de forma retrospectiva ”, disse Queiroga. “Os óbitos em criança estão absolutamente dentro de um patamar que não implica em decisões emergenciais. O Ministério da Saúde tem que tomar suas decisões em evidências científicas.”
As evidências científicas mostram que a dose da vacina Pfizer, aprovada pela Anvisa, é segura para crianças e tem causado efeitos positivos na redução de infecções. Em sua análise técnica para liberar a vacinação, a agência afirmou que os benefícios superam em muito os riscos, que são baixos.
Uma nota da CTAI (Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da covid-19) diz que 301 crianças na faixa etária de 5 a 11 morreram da doença no país desde o início da pandemia, quase uma a cada dois dias.Formada pelos secretários de Saúde e por entidades médicas independentes, a CTAI defendeu, na nota, o início da vacinação infantil, mas o governo não fixou data para o início.
O presidente Jair Bolsonaro tem se declarado contra a vacinação de crianças. Em live na internet, Bolsonaro chegou a dizer que queria a divulgação do nome dos técnicos da Anvisa que chancelaram o uso da vacina para crianças. Os servidores vêm recendo ameaçados por e-mail e por redes sociais. A Polícia Federal investiga essas ameaças.
O Supremo Tribunal Federal, por meio do ministro Ricardo Lewandowski, deu até o dia 5 de janeiro para que o governo se posicione em relação ao tema e inicie uma estratégia de imunização para crianças. Queiroga disse que o plano de vacinação infantil contra a covid será apresentado nessa data.
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